Setor das viagens de negócios enfrenta revolução: questões geopolíticas no topo das preocupações dos líderes

Não faltam estatísticas que destaquem esta tensão: a começar pelo relatório ‘CFO Insights 2025’, da SAP Concur, segundo o qual 37% dos líderes financeiros colocam as questões geopolíticas como uma de suas principais preocupações (um aumento de 26% em relação a 2024)

Executive Digest

A intensificação dos conflitos geopolíticos e as condições macroeconómicas peculiares abalaram o panorama das viagens de negócios. Estas disrupções tiveram impacto no aumento dos custos das viagens, na mudança de regulamentos e na insatisfação dos colaboradores, devido à adaptação constante das políticas de T&E das empresas. Mas como podem reagir os líderes financeiros a esta nova era de imprevisibilidade?

Perante os diversos cenários de incerteza, os decisores financeiros veem-se confrontados com a necessidade de impulsionar o crescimento dos negócios e, ao mesmo tempo, equilibrar as expectativas das equipas e controlar os custos.



Não faltam estatísticas que destaquem esta tensão: a começar pelo relatório ‘CFO Insights 2025’, da SAP Concur, segundo o qual 37% dos líderes financeiros colocam as questões geopolíticas como uma de suas principais preocupações (um aumento de 26% em relação a 2024).

É claro que a incerteza está a aumentar e não parece ir desaparecer tão cedo. À luz desta realidade, de que forma poderão os líderes financeiros e CFOs impulsionar o crescimento do negócio, quando confrontados com estas pressões externas e internas?

Destacamos, de seguida, três estratégias que podem ajudar os decisores financeiros a concentrarem-se nos fatores de sucesso, adaptando-se ao fim da era da previsibilidade.

1. Atualização dos métodos de forecast e das ferramentas de controlo de custos

A primeira coisa que os líderes financeiros podem fazer para gerir a incerteza é atualizar os seus métodos de previsão. Apenas 40% dos líderes empresariais admite ter começado o ano preparado para as disrupções do mercado – de acordo com uma pesquisa da BCG.

Os métodos de forecast legados, fortemente dependentes de padrões históricos, não consideram as surpresas que a volatilidade económica pode trazer. Estes métodos tradicionais, incluindo séries temporais e análise de regressão, não podem ser considerados totalmente confiáveis, pois não consideram o cenário regulatório em mudança, as tendências de viagens e os custos flutuantes.

Com a imprevisibilidade dos custos em alta, os líderes financeiros precisam de encontrar formas eficientes de reduzir os gastos, sem prejudicar os planos de crescimento do negócio. Uma solução viável consiste em controlar as despesas antes que elas ocorram.

Assim, os líderes financeiros podem assegurar que as despesas estejam em linha com as expectativas, impondo o uso de ferramentas de solicitação prévia de gastos no que diz respeito às viagens de negócios. Isto pode ajudar a acompanhar os custos e as estimativas, garantindo, ao mesmo tempo, o cumprimento das políticas da empresa por parte dos colaboradores. Incentivar as equipas a adotar estas ferramentas proporciona uma visão abrangente dos gastos, ainda antes de serem submetidos os relatórios de despesas.

2. Adotar ferramentas de IA e formar os colaboradores sobre a sua utilização

Os executivos manifestam um interesse crescente pelos investimentos em IA, como bem o atesta o relatório CFO Insights 2025 da SAP Concur. Mais de metade (58%) dos líderes financeiros está a priorizar o investimento em Inteligência Artificial, para impulsionar o crescimento dos negócios. Então, porque não usá-la para superar estes desafios?

Além das principais aplicações financeiras, as ferramentas de IA também podem transformar a estratégia de T&E, ajudando a controlar os custos, agilizando processos e oferecendo outras vantagens, incluindo a deteção de padrões e comportamentos em matéria de despesas, ou a gestão de faturas, solidificando o controlo de custos, a tomada de decisões e as análises, bem como o forecast.

No entanto, quando as empresas optam por implementar a IA para as ajudar a navegar por mares de imprevisibilidade, precisam de estar seguras de que os seus colaboradores estão a bordo. O ‘7th Annual Global Business Travel Research Report’, da SAP Concur, indicou que 87% dos viajantes empresariais a nível global ainda não se sentem confortáveis com a utilização de opções habilitadas por IA – mas estariam dispostos a usá-las. Aqui, a missão dos decisores financeiros é clara: aproveitar esta oportunidade e investir na formação das suas equipas em IA, sempre que for relevante.

3. Integrar a incerteza na estratégia de T&E

Para ultrapassar a incerteza crescente, resistindo aos ventos económicos adversos, aos novos impostos resultantes das tarifas e ao aumento dos custos de viagem, os decisores financeiros precisam de colocar as suas opções em perspetiva – reequacionando quais serão as despesas que a empresa pode absorver, otimizando as políticas de reembolso, ou ajustando as suas parcerias (novas e existentes) com os fornecedores de viagens.

Outra opção ao dispor dos líderes financeiros consiste no trabalho multidisciplinar, colaborando com as equipas de RH, TI e compras, de modo a atualizar as políticas de viagem; identificar os parceiros certos para opções alternativas; e explorar oportunidades para simplificar as estratégias de T&E adequadas ao momento presente e ao futuro.

As atuais condições geopolíticas e macroeconómicas não mostram sinais de abrandamento ou estabilização. Mas isso não significa que os decisores financeiros devam acreditar na desgraça – podem, antes sim, afirmar uma postura estratégica proativa e adotar novos métodos de previsão; investir na adoção oportuna da IA; e explorar todas as hipóteses quando confrontados com a imprevisibilidade.

Os líderes financeiros que superarem esta complexidade, com clareza e resiliência, irão emergir como vencedores, num mundo caracterizado pelo fim das tendências previsíveis.

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