Tem sido um fartote: nas primeiras quatro semanas de 2022, os norte-coreanos já conduziram sete testes de mísseis, assumindo assim o seu esforço para mostrar ao mundo que Pyongyang continua na luta pelo poder e influência.
“Ao ameaçar desestabilizar a Ásia, o regime de Kim Yong-Un quer que o mundo lhe pague para agir como ‘energia nuclear responsável'”, comentou à CNN Leif-Eric Easley, professor associado de estudos internacionais na Universidade Ewha Womans em Seul, Coreia do Sul.
Entre os testes realizados, encontra-se aquilo que se acredita ser um veículo de planar hipersónico – potencialmente uma das armas mais poderosas do planeta – até um míssil balístico de alcance intermédio, o de maior alcance testado pelo regime norte-coreano desde 2017, que foi para os céus este domingo.
Conhecido como IRBM, o seu lançamento é visto como uma prova de força já que parece ter capacidade para alcançar o território da ilha americana de Guam, no Oceano Pacífico. Segundo os analistas, citados por aquela estação americana, uma das grandes preocupações de Kim Jong-Un assenta nas próximas eleições agendadas para março, na Coreia do Sul.
A verdade é que o presidente sul-coreano não deixou passar o disparo do IRBM em claro: “É um sinal evidente de que o regime norte-coreano se prepara para acabar com a sua moratória sobre mísseis balísticos intercontinentais e testes nucleares”, assinalou Moon Jae-in.
Para os analistas, ouvidos pela estação americana, testar armas com mais potência é uma questão de tempo, considerando que o regime de Kim faz, em regra, o que diz que vai fazer. Nos objetivos estabelecidos no 8º Congresso do Partido da Coreia do Norte, em Janeiro de 2021, estava o teste a um míssil lançado por um submarino, algo feito em outubro. Outro era o teste a uma ogiva hipersónica, algo cumprido igualmente este mês.
Com os Jogos Olímpicos à porta em Pequim, é expectável que Pyongyang abrande agora um pouco o ritmo dos testes – mas o mais certo é retomá-lo logo depois. “Para a China, à medida que o poder militar da Coreia do Norte aumenta, os EUA têm de lhe prestar mais atenção, pelo que se pode esperar que tenha o efeito de distrair a atenção sobre si”, lembrou ainda Park Won-gon, também professor associado de estudos norte-coreanos na Universidade Ewha Womans, em Seul, na vizinha Coreia do Sul.










