As pessoas podem compensar um alto risco genético de doenças cardíacas se seguirem sete regras para uma vida saudável, que se podem traduzir em até 20 anos extra sem problemas de coração. Esta é a conclusão de um estudo, publicado pela ‘American Heart Association’, que apontou que as pessoas com elevados marcadores genéticos de doenças cardíacas podem diminuir drasticamente esse risco se seguirem os princípios ‘Life’s Simple 7’, ou seja, ser fisicamente ativo, alimentação variada e saudável, não fumar, controlar o peso e manter os níveis de glicose no sangue, colesterol e pressão arterial sob controlo.
A conclusão não é uma novidade per si mas o novo estudo foi pioneiro a usar ferramentas genéticas para mostrar como uma pessoa pode ‘ganhar’ uma vida livre de doenças se der passos para reduzir esse risco, apontou Natalie Hasbani, principal autora do estudo e assistente de pesquisa de pós-graduação no Centro de Ciências da Saúde na Universidade do Texas, em Houston, nos Estados Unidos.
“É importante comunicar esses riscos de uma maneira que seja realmente impactante”, explicou a investigadora, “para colocar a informação naquilo que pode fazer por mim”. Ou seja, conseguir traduzir a redução do risco numa medida absoluta – anos vividos sem doenças – é algo já feito na pesquisa do tratamento de cancro. “A esperança é que ouvindo estes números consiga-se convencer as pessoas a mudar os seus comportamentos.”
Os pontuação de risco poligênico são uma ferramenta relativamente nova que inclui todas as informações genéticas de uma pessoa, em vez dos genes associados a uma doença. Essa pontuação baseia-se no total de variantes encontradas no código genético de uma pessoa que possam significar um aumento do risco de doenças cardíacas.
Foram analisados para efeitos de estudo o risco de doença cardíaca em 8.372 adultos brancos e 2.314 adultos negros com 45 ou mais anos. Em traços gerais, a pesquisa apontou que o risco de desenvolver doenças cardíacas durante a vida restante de uma pessoa variou de 16,6% para aqueles que praticavam estilos de vida mais saudáveis a 43,1% para os com estilos de vida menos saudáveis. Pessoas com elevados marcadores de risco poligênico podiam reduzir o risco de doenças cardíacas em até 50% seguindo as setes regras saudáveis quando comparados com os seus pares de alto risco genético que não tinham estilos de vida saudável.
O estudo revelou ainda que o impacto de um estilo de vida saudável pode variar de acordo com a raça. Para adultos brancos, um estilo de vida saudável ofereceu 20,2 anos a mais de vida livre de problemas cardíacos. Já no caso de adultos negros com elevado risco só conseguiram ganhar 4,5 anos livres, uma diferença que, segundo os especialistas, é sobretudo baseada na falta da dados disponíveis, o que já levou a diversos pedidos de autoridades de saúde para a maior inclusão de pessoas de diferentes etnias nas pesquisas médicas para criar ferramentas mais precisas para identificar o risco genético de doenças nesses grupos.
No entanto, as pontuações de risco poligênico podem ser mais úteis quando usadas para identificar pessoas com menos de 40 anos que carregam um alto risco genético para doenças cardíacas e não sabem disso. As decisões sobre se alguém deve tomar medicamentos para reduzir o risco de doença cardíaca atualmente são baseadas na probabilidade de desenvolver doença cardíaca dentro de 10 anos, o que normalmente não é o caso de alguém na faixa dos 30 anos. “Podemos estar a perder oportunidades de iniciar o tratamento mais cedo, quando pode ter um impacto maior”, apontou um especialista. “Quando as pessoas atingem a meia idade, os seus comportamentos de saúde tendem a importar muito mais do que os genes com os quais nasceram.”
A principal mensagem deste estudo é que “embora a história familiar ou a genética sejam importantes, elas não determinam o seu destino. Se está em alto risco, pode reduzi-lo adotando um estilo de vida saudável. Da mesma forma, se você estiver em menor risco, pode piorar a sua situação se não controlar os seus comportamentos”.












