A GMV foi selecionada para participar em sete projetos da convocatória de 2025 do Fundo Europeu de Defesa, reforçando a sua posição no desenvolvimento de capacidades críticas para a segurança e a autonomia tecnológica da Europa. A multinacional tecnológica, com presença em Portugal, vai contribuir para iniciativas em áreas como o espaço, o combate aéreo, a ciberdefesa e os sistemas militares, num novo passo de consolidação dentro do ecossistema europeu de defesa.
Entre os projetos aprovados destaca-se o EPIIC 2, no qual participa a GMV em Portugal. A iniciativa parte dos resultados da fase inicial para avançar no desenvolvimento de tecnologias aplicáveis aos cockpits das aeronaves da próxima geração, com o objetivo de reduzir limitações atuais e permitir que os pilotos se concentrem mais na liderança tática e nas ações críticas da missão. A empresa sublinha que este trabalho deverá contribuir para melhorar a eficiência operacional e a segurança das tripulações.
Para José Neves, diretor de Defesa & Segurança da GMV em Portugal, o projeto representa um passo particularmente relevante. O responsável salienta que a participação no EPIIC 2 permitirá à operação portuguesa adquirir conhecimento e desenvolver tecnologias destinadas a equipar os futuros caças de sexta geração.
A participação da GMV na convocatória de 2025 do Fundo Europeu de Defesa estende-se, no entanto, a um conjunto mais vasto de áreas estratégicas. No domínio espacial, a empresa integra o SPIDER 2, que dá continuidade a um estudo de viabilidade focado em constelações de satélites multimissão e de baixo custo para missões de informação, vigilância e reconhecimento. Segundo a empresa, o projeto deverá ajudar a melhorar a capacidade de resposta, reduzir tempos de revisita e diminuir a latência dos sistemas.
Também no espaço, a GMV participa no ASIMOV, uma iniciativa centrada na definição e validação de uma arquitetura federada para operações em órbita, capaz de reabastecer, reparar, inspecionar e proteger satélites em condições adversas, articulando desenvolvimentos civis e militares.
Na ciberdefesa, a empresa integra o ECC2, projeto que pretende desenvolver uma solução soberana e federada de comando e controlo no ciberespaço, assegurando interoperabilidade, federação de dados e segurança multinível. Já no domínio do combate aéreo, a GMV participa no EICACS 2, que pretende reforçar capacidades colaborativas das forças aéreas europeias com base em normas de interoperabilidade, contribuindo também para futuras normas da NATO.
A lista inclui ainda o DART, que propõe uma nova abordagem para lidar com a crescente complexidade dos sistemas de combate aéreo, combinando gémeos digitais, engenharia de sistemas baseada em modelos e interoperabilidade. Nos sistemas terrestres, a empresa marca presença no ACHILE 2, que dá continuidade a desenvolvimentos anteriores com o objetivo de transformar o sistema do soldado de próxima geração numa arquitetura aberta, modular e interoperável, integrando inteligência artificial, realidade aumentada e exoesqueletos.
O enquadramento destes projetos ajuda a perceber a escala da aposta europeia. O Fundo Europeu de Defesa, principal instrumento da União Europeia para promover a cooperação em investigação e desenvolvimento no setor da defesa, selecionou este ano 57 projetos em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, ciberdefesa, drones e sistemas antidrones. No total, os projetos envolvem 634 entidades de 26 Estados-membros e mobilizam 675 milhões de euros para desenvolvimento de capacidades, além de 332 milhões de euros para investigação.
Neste contexto, a GMV reforça um percurso já consolidado em programas europeus como o EDF e o EDIDP. Com um total acumulado de 49 projetos, a empresa diz manter-se entre as organizações com maior participação nestes programas, aprofundando a sua aposta no desenvolvimento de soluções tecnológicas avançadas para uma Europa mais segura, resiliente e estrategicamente autónoma.
Fundada em 1984, a GMV é um grupo tecnológico espanhol de capital 100% privado, com presença internacional em áreas como espaço, aeronáutica, defesa e segurança, cibersegurança, mobilidade, saúde, telecomunicações e tecnologias de informação. Em 2024, registou receitas superiores a 454 milhões de euros e contou com cerca de 4.000 profissionais. A empresa está presente em vários mercados internacionais, entre os quais Portugal, e indica que cerca de 75% do seu volume de negócios resulta de projetos internacionais.
A estratégia de crescimento da GMV assenta, segundo a própria empresa, numa aposta continuada em inovação, com mais de 10% da faturação canalizada para atividades próprias de investigação e desenvolvimento. Entre outras credenciais, destaca a certificação CMMI nível 5 e a posição de referência em segmentos como sistemas de controlo em terra para operadores de satélites de comunicações, navegação por satélite, cibersegurança, inteligência artificial e transformação digital.













