Apesar de se registarem avanços significativos no que respeita à paridade de género a nível mundial, ainda serão necessárias cinco décadas para que esta seja efetivamente concretizada.
Esta é uma das principais conclusões do Relatório Global sobre as Disparidades entre os Géneros 2024, publicado pelo Fórum Económico Mundial (FEM), que divulgou os resultados de sua 18ª edição, analisando detalhadamente o estado atual da paridade de género em 146 economias em todo o mundo.
Os resultados globais indicam que, embora haja avanços significativos, a paridade de género ainda está longe de ser alcançada. Com uma pontuação global média de disparidade de género de 68,5%, o relatório estima que serão necessárias cerca de cinco gerações, ou 134 anos, para alcançar a paridade total.
Essa projeção representa um atraso significativo em relação à meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Um dos destaques do relatório é a análise das cinco gerações futuras que serão afetadas por essa jornada em direção à igualdade de género. Embora nenhum país tenha alcançado a paridade total, 97% das economias incluídas na análise eliminaram mais de 60% da sua disparidade de género desde 2006.
A Islândia lidera o ranking mais uma vez, seguida por outras economias europeias, destacando o forte desempenho da região em eliminar disparidades de género. No entanto, o relatório ressalta disparidades significativas entre as regiões, com progresso variado em diferentes dimensões, como participação económica, desempenho educacional, saúde e sobrevivência, e empoderamento político.
As economias europeias ocupam sete posições no top 10 global. Além da Islândia, incluem a Finlândia (2º, 87,5%), Noruega (3º, 87,5%), Suécia (5º, 81,6%), Alemanha (7º, 81%), Irlanda (9º, 80,2%) e Espanha (10º, 79,7%). Os três lugares restantes são ocupados por economias da Ásia Oriental e do Pacífico (Nova Zelândia, 4º, 83,5%), América Latina e Caribe (Nicarágua, 6º, 81,1%) e África Subsaariana (Namíbia, 8º, 80,5%). A Lituânia (11.º, 79,3%) e a Bélgica (12.º, 79,3%) saíram do top 10, com a Espanha e a Irlanda a subirem +8 e +2 posições, respetivamente, para se juntarem aos melhores desempenhos em 2024.
Portugal segue pouco à frente nesta lista, posicionando-se no 17.º lugar do ranking.
As análises regionais destacam os avanços e os desafios enfrentados em cada parte do mundo, desde a Europa até a África Subsaariana, revelando as complexidades e as disparidades intrarregionais que moldam o caminho para a igualdade de género.
Além disso, o relatório destaca a importância das políticas económicas, empresariais e sociais na promoção da igualdade de género. Reconhecendo o papel fundamental das mulheres no mercado de trabalho e na liderança política, o relatório enfatiza a necessidade de medidas concretas para garantir a igualdade de oportunidades em todas as esferas da sociedade.














