Ao longo dos últimos anos, a multiplicação de empresas como a Uber ou Glovo levou à criação da gig economy, modelo de negócio em que as empresas recorrem a trabalhadores independentes – habitualmente designados parceiros – que não têm contrato ou qualquer vínculo permanente. No entanto, as queixas e as denúncias relativamente às condições precárias de muitos motoristas têm chamado a atenção para os potenciais problemas deste modelo.
No Reino Unido, a Uber perdeu recentemente uma batalha judicial que obriga a empresa a reclassificar os seus 70 mil motoristas e a considerá-los funcionários, o que significa que passam a ter direito a férias e ao salário mínimo, por exemplo. Já na vizinha Espanha, surgem novas regras no mesmo sentido mas que abrangem todas as empresas, em vez de apontar à Uber em específico.
A nível mais geral, a Comissão Europeia está a trabalhar numa reforma regional para a gig economy, colocando o foco nas condições garantidas aos trabalhadores. Mas, ao alterar a base do modelo, será a gig economy capaz de sobreviver na Europa?
A Just Eat Takeaway, por exemplo, está a tentar antecipar-se. Segundo a CNBC, estão a ser celebrados contratos formais com os profissionais responsáveis por entregar as refeições da plataforma Just Eat. «Com este modelo, os estafetas têm direito a um salário por hora, são pagos acima do ordenado mínimo, têm seguro e segurança social, em linha com a legislação local», explica porta-voz da empresa.
As novas regras podem implicar, no entanto, desvantagens para os utilizadores deste tipo de plataformas. Segundo John Ryan, da startup britânica Gigable, os preços podem aumentar do lado do consumidor: «Mas eu acho que as pessoas estão confortáveis com o aumento nos preços se souberem que vai para os condutores», indica o responsável em declarações à mesma publicação.














