Ser bonito custa… ao patrão! Estudo revela que as pessoas atraentes ganham mais 11% do que os colegas menos ‘favorecidos’

Ser pontual, assumir mais responsabilidades ou fazer horas extra pode parecer a receita para um aumento salarial. No entanto, um novo estudo sugere que a aparência física pode ter um peso maior do que o esforço no local de trabalho.

Pedro Zagacho Gonçalves

Ser pontual, assumir mais responsabilidades ou fazer horas extra pode parecer a receita para um aumento salarial. No entanto, um novo estudo sugere que a aparência física pode ter um peso maior do que o esforço no local de trabalho.

Investigadores do Institute for Operations Research and the Management Sciences, em Baltimore, identificaram uma ligação “impressionante” entre a atratividade e o sucesso profissional. Segundo a pesquisa, trabalhadores considerados fisicamente mais atraentes podem ganhar até 11% mais do que os seus colegas menos favorecidos neste critério. Além disso, têm uma probabilidade significativamente maior de alcançar cargos de prestígio ao longo da carreira.

“A aparência influencia não apenas o início da carreira, mas também a sua trajetória ao longo de décadas,” explicou o professor Nikhil Malik, líder do estudo. “Os resultados revelam um efeito persistente e cumulativo da beleza nos ambientes profissionais.”

A ideia de que a beleza traz benefícios não é nova. Estudos anteriores já demonstraram que pessoas consideradas atraentes são frequentemente vistas como mais confiáveis, melhores líderes e até mais inteligentes. Agora, os investigadores quiseram perceber até que ponto a aparência pode afetar o sucesso profissional.

A equipa analisou a evolução da carreira de mais de 43 mil graduados de MBA (Master of Business Administration) ao longo de um período de 15 anos. Utilizando inteligência artificial, mediram a atratividade de cada participante e cruzaram os dados com os seus rendimentos e cargos ocupados.

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Os resultados revelaram que, em média, os profissionais mais atraentes ganham 2,4% a mais do que os seus colegas menos atraentes. Este valor corresponde a uma diferença salarial de aproximadamente 2.508 dólares (cerca de 2.006 euros) por ano.

Contudo, no caso dos 10% mais atraentes, essa diferença aumentou para 11%, resultando num diferencial salarial anual de 5.528 dólares (cerca de 4.423 euros).

Os investigadores apelidaram este fenómeno de “prémio da beleza”, referindo-se ao impacto direto da atratividade no rendimento dos trabalhadores.

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Impacto na ascensão profissional e nas diferentes indústrias
O estudo demonstrou ainda que a aparência não influencia apenas os salários, mas também as oportunidades de ascensão na carreira. Quinze anos após a conclusão do MBA, os profissionais mais atraentes tinham uma probabilidade 52,4% maior de ocupar posições de prestígio nas suas organizações.

No entanto, o impacto da atratividade não é uniforme em todas as áreas de trabalho. Os setores onde o contacto interpessoal é mais frequente, como a gestão e a consultoria, apresentaram as maiores disparidades salariais entre os mais e menos atraentes. Já nas áreas mais técnicas, como a engenharia e as tecnologias de informação, o “prémio da beleza” foi significativamente menor.

“Esta pesquisa reforça a ideia de que os preconceitos ligados à aparência física continuam a moldar os resultados das carreiras, mesmo entre profissionais altamente qualificados,” afirmou o professor Param Vir Singh, coautor do estudo.

Beleza e confiança: um fator determinante na progressão profissional?
Os investigadores não exploraram as razões exatas para esta relação entre atratividade e sucesso profissional, mas outros especialistas apontam para a questão da confiança.

Astrid Hopfensitz, professora de comportamento organizacional na EM Lyon Business School, que não esteve envolvida no estudo, acredita que o fator-chave pode ser a perceção de confiabilidade.

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“Pensa-se que indivíduos considerados bonitos têm mais probabilidades de beneficiar da confiança dos outros, o que facilita a sua promoção ou o fecho de negócios,” explicou num artigo publicado na The Conversation.

Hopfensitz acrescenta que essa perceção pode estar relacionada com a ideia de que pessoas fisicamente mais atraentes são vistas como mais saudáveis ou como tendo tido mais interações sociais positivas ao longo da vida – aspetos que podem influenciar a forma como os outros as veem em termos de confiabilidade.

Este estudo reforça a importância da aparência no mercado de trabalho, levantando questões sobre preconceitos inconscientes e a equidade nas oportunidades de progressão profissional.

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