A perspetiva de uma semana de trabalho de quatro dias parece algo do reino da fantasia, sobretudo quando se lhe atribui benefícios para uns e outros – como quem diz, empresas e funcionários – e o tema causou logo discórdia entre o governo e os patrões portugueses, em plena campanha para as legislativas.
O certo é que as experiências conhecidas até agora garantem mesmo o melhor dos dois mundos. Desta feita, é a vez do Reino Unido avançar também para uma fase piloto. O plano é testar a modalidade durante seis meses, e não prevê quaisquer descontos no ordenado dos participantes.
Previsto para começar no verão e decorrer até ao fim deste ano de 2022, a experiência será avaliada por investigadores universitários, além da organização sem fins lucrativos 4 Day Week Global, e da think tank britânica Autonomy. A expectativa é que haja pelo menos 30 empresas sediadas no Reino Unido a participar, embora possam inscrever-se mais, caso desejem.
Em declarações ao Independent Joe O’Connor, responsável da 4 Day Week Global, garante que “há cada vez mais empresas estão a adotar “estratégias focadas na produtividade”, tudo com objetivo de reduzir as horas de trabalho sem cortar salários. “A semana de quatro dias desafia o modelo atual de trabalho, porque deixa de medir quanto tempo as pessoas estão nas instalações e passa a pôr o foco no que cada um produz”, sublinha.
Convictos de que este será o ano em que o ousado modelo ganhará força, os seus adeptos já têm vindo a celebrar os bons resultados conhecidos no últimos tempos. No ano passado, por exemplo, foi a vez de a Islândia dar a conhecer a avaliação do maior teste do mundo feito até agora. Depois de quatro anos de experiência, entre 2015 e 2019, não havia dúvidas: os participantes estavam mais felizes, mais saudáveis e, claro, mais produtivos. Aos islandeses, seguiu-se a Microsoft Japão. Resultado? A produtividade aumentou quase 40%. Recentemente, a Panasonic aprovou mesmo a opção para os seus trabalhadores.
Perante estes dados, o entusiasmo é mais que muito também no Reino Unido. Oiça-se o presidente da Canon Medical Research Europe, citado pelo Marshable: “Reconhecemos que os padrões de trabalho, e o foco que todos damos ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, mudaram substancialmente durante a pandemia. É imperativo adaptar as nossas práticas de trabalho para garantir que os nossos colaboradores considerem que o tempo que passam connosco é significativo, gratificante e produtivo. Daí estamos ansiosos para iniciar o teste e ver se funciona connosco”.



