Semana de trabalho de quatro dias em Portugal? «Não há hipótese»

Depois de, na Finlândia, a primeira-ministra Sanna Marin ter proposto em Agosto a ideia de reformular a legislação laboral finlandesa para que a semana de trabalho passasse a ter somente quatro dias, João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, o economista Silva Peneda e o sociólogo Boaventura Sousa Santos são unânimes: em Portugal «não há hipótese nenhuma».

Executive Digest

Depois de, na Finlândia, a primeira-ministra Sanna Marin ter proposto em Agosto a ideia de reformular a legislação laboral finlandesa para que a semana de trabalho passasse a ter somente quatro dias, João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, o economista Silva Peneda e o sociólogo Boaventura Sousa Santos são unânimes: em Portugal «não há hipótese nenhuma».

«O que é mais provável daqui a dez anos é que as diferenças não sejam muitas em relação ao que se passa hoje em dia quanto ao tempo de trabalho», disse João Viera Lopes à “Renascença”.

Segundo Silva Peneda, nunca até hoje alguém sugeriu os quatro dias de trabalho semanal na concertação social e, na leitura do antigo presidente do Conselho Económico e Social, isso revela bom-senso. «Não, não: isso nunca apareceu. Felizmente os parceiros sociais, de um lado e de outro, patrões e sindicados, têm bom senso», considera.

Também para Boaventura Sousa Santos, a proposta apresentada por Marin para a Finlândia não é aconselhável na actual estrutura económica portuguesa. «Neste momento não tem estado na agenda. Não acredito. Aliás, em Portugal nós vamos ter que provavelmente acertar outras contas ainda com a Europa antes de chegarmos a esta. Penso que esta é uma proposta que vai ficar na agenda da Europa durante muito tempo. Por enquanto é feita de uma maneira pioneira. Penso que Portugal, enfim, a estrutura da economia portuguesa neste momento provavelmente não aconselha a uma solução deste tipo. E a verdade é que ela não está e não tem estado na agenda dos nossos sindicatos, por exemplo», disse.

Olhando para o futuro, Silva Peneda refere que, «pensando a médio prazo, os horários de trabalho vão diminuir, claramente. Toda a evolução tecnológica, toda a inovação, vai conduzir inevitavelmente a uma diminuição. Mas uma medida, assim, absoluta, em alguns sectores até podia ser. Noutros sectores não pode ser possível ter». O grande entrave em Portugal, entende o presidente da Confederação do Comercio, é a baixa de produtividade. 

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