Sem casos de Covid-19. O que têm feito estes países para escapar à pandemia?

A questão que se impõe é: o que fazem para tal? Será sorte, medidas drásticas de prevenção e isolamento ou simplesmente uma ocultação de dados?

Simone Silva

A cada dia, a pandemia de Covid-19 atravessa mais uma fronteira e infecta novos países, afectando actualmente cerca de 162 países e territórios.

Aqueles que têm conseguido escapar à epidemia começam a ser muito poucos, constituindo uma espécie de pequeno arquipélago, num mundo quase todo conquistado pelo surto viral, que já infectou mais de 236 mil pessoas.

Por enquanto, a Covid-19 ainda não chegou a alguns países africanos, bem como a vários países do sudeste asiático, tais como a Coreia do Norte, nem a outros da América Central.

A questão que se impõe é: o que fazem para tal? Será sorte, medidas drásticas de prevenção e isolamento ou simplesmente uma ocultação de dados? O jornal espanhol ‘El Confidencial’ tentou responder a estas questões e nós vamos ajudá-lo a entendê-las.

Coreia do Norte

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A Coreia do Norte tem conseguido escapar ao coronavírus, apesar da sua proximidade e dependência da China, país de origem do vírus. De acordo com informações da comunicação social local, as medidas aplicadas pelo governo de Kim Jong Un passaram por encerrar a sua fronteira com a China, suspender voos turísticos e aplicar uma quarentena militar a milhares de casos suspeitos e respectivos familiares. O país considera que impedir a propagação do vírus é uma questão de «sobrevivência nacional».

Contudo, a fraqueza do sistema de saúde norte-coreano e o sigilo do regime não favorecem a a confiança nos seus números, segundo o ‘El Confidencial’. O comandante das forças americanas na Coreia do Sul, Robert Abrams, afirmou que os EUA estão «bastante certos» de que existem casos de coronavírus na Coreia do Norte devido à falta de actividade militar. O exército norte-coreano ficou «fundamentalmente bloqueado» durante quase um mês e não pilotou um único avião durante 24 dias.

Sudeste Asiático

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A ausência de coronavírus nos países do Sudeste Asiático, ou mesmo o atraso com que os primeiros casos foram anunciados em países como a Indonésia ou a Tailândia, tem levantado algumas dúvidas entre os especialistas, refere o jornal espanhol.

Países como Mianmar e Laos têm uma fronteira terrestre com a China e ainda não relataram nenhum contágio de coronavírus. O mesmo acontece com Timor-Leste. Todos esses países, no sudeste da Ásia, mantêm ligações aéreas com a China e recebem milhares de turistas vindos do país asiático.

De acordo com um estudo do ‘Center for Communicable Disease Dynamics’ da ‘Harvard THChan School of Public Health’, em Boston, EUA, era «estatisticamente improvável» que o Cambodja e a Tailândia não tivessem mais casos de Covid-19.

«Não é que esses países tenham sorte», diz Marc Lipsitch, director do centro e um dos autores do estudo: «É que existem casos por revelar». Só a Indonésia recebe cerca de dois milhões de turistas chineses anualmente. No momento do surto, existiam cerca de cinco mil turistas chineses, 200 provenientes de Wuhan (epicentro do vírus). Nenhum deles foi colocado em quarentena. A Indonésia só registou um primeiro contágio após dia 2 de Março.

Países Africanos

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Os primeiros contágios de Covid-19 demoraram mais de um mês para chegar à África Subsaariana, que até ao momento ainda não foi muito afectada pelo coronavírus. Foram principalmente os cidadãos da Europa e da América do Norte que levaram o vírus para África e, na maioria dos países subsarianos, as infecções são importadas até agora, sem contágio local.

Países como Angola, Moçambique, Zâmbia, Zimbábue e Botswana, ainda não registaram qualquer caso de coronavírus até ao momento.

Alguns estudos sobre o coronavírus referem que a temperatura, geralmente mais quente no continente africano, pode ser um factor que justifique os poucos casos, contudo ainda não existem provas concretas.

«A maioria dos países africanos está muito mais preparada desde o surto de SARS, em 2003 e do surto de Ebola em 2014-16». Contudo, «os sistemas de saúde de África (que detectam e tratam doenças) são alguns dos mais fracos do mundo», afirma Ngozi Erondu, especialista em biossegurança, e investigador do programa ‘Global Health na Chatham House’, citado pelo ‘El Confidencial’.

Síria, Líbia e Iémene 

Estes três países ainda não declararam nenhum caso de coronavírus, apesar dos seus vizinhos terem já registado vários. Os três encontram-se a gerir conflitos prolongados, o facto de estarem mais isolados pode ter sido uma das razões pelas quais a Covid-19 ainda não chegou a nenhum desses países. No entanto, o ‘el Confidencial’ refere que nenhum deles tem capacidade para controlar uma epidemia deste género, especialmente quando os três têm governos que dificultam a monitorização do coronavírus.

Países insulares

O titulo de ‘ilha’, para além de caracterizar uma área muito pequena, facilita também o controlo contra o coronavírus. As Ilhas Salomão, o Vanuatu e as ilhas Fiji, ainda não registaram qualquer caso de infecção por Covid-19.

A primeira medida-chave para evitar o contágio do vírus foi tomada por muitos destes países insulares com a proibição da entrada de navios de cruzeiro nas suas docas, que constituem grandes focos de propagação do vírus. Contudo, estas não são as únicas medidas: as ilhas do Pacífico (Ilhas Marshall, Nova Caledónia, Tonga, Ilhas Cook e Samoa) também proibiram a entrada de navios de abastecimento de aeronaves, para conter o surto.

El Salvador e outros países da América Central

Depois de um período em que a América Latina parecia ser uma «zonas segura» sem coronavírus, com o surto na Europa, os casos começaram a multiplicar-se nos países do continente sul-americano, embora a um ritmo mais lento do que em outras áreas do mundo.

Apenas alguns países localizados na América Central, continuam ainda sem casos confirmados. Um deles é El Salvador, cujo presidente, Nayib Bukele, ordenou medidas rigorosas assim que os primeiros casos começaram a surgir em países como o Brasil, Colômbia ou México.

A Assembleia Legislativa decretou estado de emergência no domingo em El Salvador, para limitar alguns direitos constitucionais, numa medida que pretende conter a entrada do vírus no país. Está a ser construído um novo hospital  para tratar pacientes com coronavírus – «o maior da América Central», segundo o próprio presidente – e a população foi convidada a permanecer em casa durante o maior período de tempo possível. Na terça-feira, o país encerrou todos os voos comerciais.

Para além de El Salvador também as Honduras, Nicarágua e Belize, todos localizados na América Central, não registaram qualquer infectado por coronavírus.

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