Os líderes da União Europeia reunidos esta semana em Bruxelas estão preparados para prolongar as negociações até alcançarem uma solução para a crise de financiamento da Ucrânia, afastando a possibilidade de o dossier ser adiado para janeiro, quando entrará formalmente na agenda legislativa do bloco.
Em declarações ao jornal ‘POLITICO’, a vice-ministra cipriota para os Assuntos Europeus, Marilena Raouna, sublinhou que o próximo Conselho Europeu, que tem início esta quinta-feira, representa “uma decisão crucial”. Segundo a responsável, as discussões sobre como garantir que Kiev não fique sem recursos financeiros até meados do próximo ano têm sido particularmente exigentes, mas existe disponibilidade total para permanecer em Bruxelas “até que possamos tomar uma decisão sobre essa questão do financiamento”.
As autoridades europeias admitem que as negociações poderão prolongar-se por várias horas ou mesmo dias, estendendo-se até ao fim de semana, apesar das agendas apertadas dos chefes de Estado e de Governo. Ainda assim, sublinham que a alternativa — deixar a Ucrânia sem financiamento — não é aceitável.
O plano em discussão prevê a utilização de ativos russos congelados como garantia para um empréstimo de 210 mil milhões de euros destinado a apoiar o orçamento do Estado ucraniano e a financiar a reparação dos danos provocados pela invasão russa em grande escala. No entanto, a proposta tem levantado reservas jurídicas, com a Bélgica, que detém a maior parte desses ativos, a ser acompanhada por Itália, Malta e Bulgária nas dúvidas expressas. O plano enfrenta também oposição política de países próximos de Moscovo, como a Hungria e a Eslováquia, segundo o ‘POLITICO’.
“Vários Estados-Membros afirmaram que é essencial garantir a segurança jurídica. Creio que estão a ser introduzidas salvaguardas nesse sentido, o que poderá abrir caminho para uma decisão”, afirmou Raouna, acrescentando que é necessário “esgotar todas as possibilidades” e ter consciência da mensagem política que resultaria de um eventual impasse.
As negociações técnicas entre embaixadores, inicialmente previstas para este domingo, foram adiadas e prolongaram-se pela noite de segunda-feira, antecedendo a cimeira de líderes no âmbito do Conselho Europeu. Quatro diplomatas ouvidos pelo ‘POLITICO’ dizem manter a convicção de que o plano é viável e que não existe uma alternativa credível, tendo em conta a oposição de várias capitais a um empréstimo direto à Ucrânia. Ainda assim, cresce a preocupação de que a ausência de soluções de reserva possa provocar atrasos significativos caso o modelo proposto seja rejeitado.
“Penso que estamos no bom caminho. Estou cautelosamente otimista de que conseguiremos apresentar as nossas propostas no Conselho Europeu”, afirmou a vice-ministra cipriota.
Chipre assumirá a presidência rotativa semestral do Conselho da União Europeia no início do próximo ano, atribuindo a um dos Estados-Membros mais pequenos do bloco um papel relevante na condução das negociações diplomáticas. Em conjunto com a Irlanda, será também um dos poucos países militarmente neutros a desempenhar essa função em 2026.













