Seis mil casos em três anos: PSP alerta para aumento de burlas com casas de férias

A Polícia de Segurança Pública (PSP) reforçou o alerta para o risco de burlas relacionadas com o falso arrendamento de casas de férias, numa altura em que o período de verão faz disparar a procura por alojamentos e as reservas atingem o pico anual.

Revista de Imprensa

A Polícia de Segurança Pública (PSP) reforçou o alerta para o risco de burlas relacionadas com o falso arrendamento de casas de férias, numa altura em que o período de verão faz disparar a procura por alojamentos e as reservas atingem o pico anual. Nos últimos três anos, a PSP registou 4.553 crimes desta natureza, aos quais se somam mais 1.487 ocorrências registadas pela Guarda Nacional Republicana (GNR) apenas nos últimos dois anos, elevando para mais de seis mil o número de casos conhecidos pelas forças de segurança. O objetivo das autoridades passa por sensibilizar os consumidores para a adoção de comportamentos preventivos, evitando perdas financeiras que, em muitos casos, ascendem a milhares de euros e deixam as vítimas sem alojamento para as férias.

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Segundo o Correio da Manhã (CM), os dados da PSP revelam uma estabilização deste tipo de criminalidade, embora os números continuem elevados. Em 2023 foram registados 1.542 crimes de burla por falso arrendamento de casas de férias, seguindo-se 1.511 em 2024 e 1.500 em 2025. Só desde o início de 2026 já foram contabilizadas mais 325 ocorrências. Já a GNR recebeu 762 denúncias em 2024 e outras 725 em 2025, mantendo igualmente um volume elevado de casos. Durante este período, a GNR deteve três suspeitos associados a este tipo de atividade criminosa.

A distribuição geográfica das ocorrências demonstra que o fenómeno está disseminado por praticamente todo o território nacional, embora algumas zonas concentrem um maior número de casos. De acordo com os dados mais recentes da GNR, o distrito de Faro lidera a lista, com 153 burlas, correspondendo a cerca de 21% do total nacional. Seguem-se Setúbal, com 91 ocorrências, Lisboa, com 86, Braga e Porto, ambos com 72 casos, Aveiro com 46, Leiria com 41, Santarém com 38, Castelo Branco com 21 e Viseu com 20. O Algarve, um dos principais destinos turísticos do país durante o verão, continua assim a destacar-se entre as regiões mais afetadas por esquemas de falsos arrendamentos.

Perante este cenário, a PSP elaborou um conjunto de recomendações para ajudar os consumidores a identificar e evitar possíveis fraudes durante o processo de reserva e pagamento de alojamentos para férias. Paralelamente, o Centro Nacional de Cibersegurança encontra-se, há vários anos, a trabalhar em parceria com plataformas de arrendamento temporário na identificação e mitigação de tentativas de fraude, com especial incidência nos métodos de pagamento e no desenvolvimento de mecanismos que dificultem a transferência de dinheiro para criminosos.

A dimensão do fenómeno continua a refletir-se também na atividade judicial e no impacto financeiro das burlas. Atualmente, um grupo de 20 pessoas está a ser julgado no Porto por alegadamente ter burlado 143 vítimas através de falsos arrendamentos de casas de férias, num esquema que terá permitido obter cerca de 150 mil euros. Além disso, segundo dados da PSP relativos a 2023, este tipo de criminalidade provocou prejuízos superiores a 1,75 milhões de euros, um valor que, de acordo com as autoridades, se tem mantido relativamente estável nos dois anos seguintes, reforçando a necessidade de cuidados acrescidos por parte de quem procura alojamento para as férias de verão.

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