Seis comunidades espanholas atingiram o colapso sanitário

Seis comunidades espanholas já estão no limite da sua capacidade de atender pacientes nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) e outras três “estão a avançar rapidamente em direção ao seu limite máximo”. O aviso foi divulgado pelo coordenador de emergência do Ministério da Saúde, Fernando Simón, que há vários dias tem vindo a alertar sobre o crescente “problema de saturação” das UCIs. E também adverte que a situação pode piorar com o avançar da semana.

Nas últimas 24 horas, o número de internados nesses serviços cresceu para mais de cinco mil pacientes. As admissões são “longas” e o número de pacientes “acumula”. O que acarreta um risco que assombra os gestores de saúde desde o início da epidemia: que a mortalidade vai disparar simplesmente porque não há mais vagas disponíveis.

“Estamos a tentar garantir que esses limites não sejam excedidos”, disse Simón, citado pelo El País. O responsável não quis revelar os nomes das comunidades mais afetadas pela situação.

No entanto, segundo o El País, é fácil perceber quais são as comunidades que estão sob maior pressão, recorrendo aos dados divulgados pelo ministério e pelas próprias comunidades. Madrid encabeça a lista, com 1.429 doentes nesses serviços, seguida pela Catalunha, com 1.391.

Castilla-La Mancha, com 299; Castilla y León, com 278, e o País Basco, com 271, são as seguintes quatro comunidades com o maior número de internados na UCI, enquanto La Rioja, com 43, e Navarra, com 75, também sofrem pressão em termos. relativos devido à sua taxa de população.

O ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, assegurou hoje em Madrid que a evolução dos casos de coronavírus até agora mostra que o país está “muito perto” do pico da pandemia de covid-19.

“Se não estamos no pico estamos muito perto dele”, disse Salvador Illa numa conferência de imprensa telemática, acrescentando que desde 25 de março há “uma estabilização da curva epidémica”.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde espanhol de 15 a 25 de março o aumento médio de casos diários de pessoas com a covid-19 foi de 20% e desde esse dia até hoje é de 12%.

Salvador Illa sublinhou a necessidade de, em primeiro lugar “alcançar o pico” da pandemia, depois “fazer descer o pico” e, finalmente, “erradicar o vírus”.

As atividades consideradas não essenciais estão paralisadas a partir de hoje em Espanha, até 09 de abril próximo, a fim de reduzir ainda mais a mobilidade e o risco de infeção, e para tentar evitar o colapso nas unidades de cuidados intensivos quando o pico de contágios chegar.

A medida foi aprovada no domingo num Conselho de Ministros extraordinário que estabeleceu que todos os trabalhadores em atividades não essenciais fiquem em casa, recebendo o seu salário “normalmente” e, quando o período de cessação da atividade passar, recuperem as suas horas “gradualmente”.

Estão excluídos desta medida aqueles que estão de baixa por incapacidade ou licença de maternidade ou paternidade, ou os que podem trabalhar a partir de casa, entre outros.

Espanha registou, nas últimas 24 horas, 812 mortos com o novo coronavírus, uma ligeira redução do número de vítimas num só dia, elevando o balanço total para 7.340, segundo a última atualização das autoridades sanitárias.

Os números do Ministério da Saúde espanhol revelam ainda um aumento de 6.398 no número de infetados, menos do que os 6.549 novos casos anunciados no domingo.

Desde o início da pandemia, o país registou um total de 85.195 casos de covid-19, dos quais 7.340 morreram e 16.780 tiveram alta e são considerados como curados.

O país ultrapassou hoje a China em número total de infetados com o covid-19, estando apenas atrás dos Estados Unidos e da Itália.

Por outro lado, a Espanha é o segundo país no mundo com maior número de mortes, depois da Itália que tem 10.779 vítimas mortais em 97.689 casos registados até domingo.

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