Seis ativistas do grupo Climáximo condenados por bloquearem jato privado no Aeródromo de Cascais

A condenação resulta de uma ação de protesto realizada em dezembro de 2023, quando os ativistas bloquearam um jato privado no Aeródromo de Cascais para protestar contra os “voos supérfluos e de luxo dos super-ricos” e a “destruição maciça” provocada pelas emissões desses veículos.

Pedro Gonçalves
Julho 29, 2024
15:59

Seis ativistas do grupo ambientalista Climáximo foram condenados na segunda-feira a penas que incluem 15 meses de prisão suspensa, 135 dias de trabalho comunitário e uma multa de 5.300,59 euros. A condenação resulta de uma ação de protesto realizada em dezembro de 2023, quando os ativistas bloquearam um jato privado no Aeródromo de Cascais para protestar contra os “voos supérfluos e de luxo dos super-ricos” e a “destruição maciça” provocada pelas emissões desses veículos.

O bloqueio ao jato privado foi promovido pelo Climáximo como uma forma de destacar o impacto ambiental negativo das emissões associadas aos voos privados. De acordo com o grupo, esses voos são responsáveis por significativas emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a crise climática global e prejudicando comunidades em todo o mundo. A ação visava chamar a atenção para a “injustiça ambiental” e o desvio de responsabilidades por parte dos indivíduos mais ricos, cujas atividades contribuem desproporcionalmente para a crise climática.

Em resposta à condenação, Inês Teles, uma das ativistas envolvidas, expressou descontentamento com a decisão judicial em um comunicado. Teles afirma em comunicado que, embora a gravidade da crise climática e o impacto de protestos disruptivos tenham sido reconhecidos pelo tribunal, “as pessoas que tomaram ação para parar a destruição foram condenadas, enquanto os verdadeiros culpados permanecem impunes”. Segundo a ativista, “para os governos, tribunais e super-ricos, não importa o número de mortos e refugiados causados pela manutenção da ‘normalidade’—recusam-se a abdicar dos seus luxos e lucros milionários e escolhem reprimir quem resiste contra a destruição.”

Na semana passada, apoiantes do Climáximo estiveram envolvidos em ações de apoio a campanhas internacionais para a eliminação dos combustíveis fósseis até 2030, bem como na luta na França contra a privatização e o roubo de água pelas grandes indústrias. Esses eventos destacaram a mobilização global em torno das questões climáticas e a crescente pressão sobre governos e corporações para tomarem medidas mais assertivas em relação à crise ambiental.

Os ativistas do Climáximo reafirmaram seu compromisso com a luta climática, apesar da condenação. Em comunicado, garantiram que a sentença não os intimida nem os fará recuar. “As empresas e os governos declararam guerra contra a Humanidade, ao provocarem e continuarem a alimentar a crise climática. Sabemos que vão esforçar-se, mas não conseguirão esmagar a luta pela vida. As pessoas por todo o lado vão continuar a erguer-se para parar a destruição.”

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