Seguros de saúde vão ficar mais caros em 2026 devido à pressão dos custos médicos

O aumento dos custos dos cuidados médicos e a crescente procura de serviços de saúde privados vão provocar uma nova subida dos seguros de saúde a partir de janeiro de 2026, num contexto em que cada vez mais portugueses recorrem a esta proteção para garantir acesso atempado a consultas, exames e tratamentos.

Revista de Imprensa

O aumento dos custos dos cuidados médicos e a crescente procura de serviços de saúde privados vão provocar uma nova subida dos seguros de saúde a partir de janeiro de 2026, num contexto em que cada vez mais portugueses recorrem a esta proteção para garantir acesso atempado a consultas, exames e tratamentos. Em cinco anos, o prémio médio anual por pessoa já subiu cerca de 41%, e as estimativas apontam agora para um agravamento adicional que poderá rondar os 10% no próximo ano.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

De acordo com dados avançados pelo Jornal de Notícias, o recurso acrescido ao setor privado, motivado pelas dificuldades de acesso ao Serviço Nacional de Saúde, tem aumentado o número de utilizadores, a frequência de utilização e reduzido o intervalo entre a contratação do seguro e a sua primeira utilização, pressionando os custos das seguradoras.

Fonte da Médis, do grupo Ageas Portugal, explica que este cenário resulta da conjugação de vários fatores, sublinhando que “o difícil acesso aos cuidados de saúde no setor público tem levado mais pessoas com seguro a recorrer ao privado”, o que se traduz num aumento da utilização e dos custos, agravados ainda pela pressão macroeconómica que tem feito subir os preços cobrados pelos prestadores de cuidados de saúde.

Os números confirmam esta tendência. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões indica que, no ano passado, mais de quatro milhões de pessoas tinham seguro de saúde, em apólices individuais ou de grupo. Entre 2019 e 2024, o prémio médio anual passou de 297 para 418 euros por pessoa. Maria Ana Oliveira Martins, da Allianz, aponta que os tratamentos médicos estão “a evoluir muito na sofisticação e no desenvolvimento”, o que melhora a longevidade e a qualidade de vida, mas tem um impacto direto no aumento dos custos, enquanto António Marçalo de Almeida, da Zurich Portugal, associa esta pressão ao envelhecimento da população e ao crescimento das doenças crónicas.

Também a Multicare, da Fidelidade, admite que o cenário obriga a uma monitorização apertada da evolução dos custos. Fonte oficial da seguradora refere que estão em causa fatores como o aumento dos preços dos prestadores, a maior complexidade das doenças, o acesso a tratamentos mais inovadores e a continuidade do aumento da frequência de utilização dos seguros.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Um estudo da consultora Aon estima que os preços possam subir até 10% em 2026, acima da inflação prevista. Gabriel Bernardino, presidente da ASF, já alertou que, “com a inflação médica e o consumo crescente dos serviços de saúde, o preço dos seguros poderá tornar-se incomportável”. A confirmar-se esse aumento, o prémio anual poderá ficar cerca de 41,8 euros mais caro face a 2024, num contexto em que iniciativas alternativas, como o Cartão Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, que conta com mais de 40 mil beneficiários, tentam responder às dificuldades de acesso através de soluções de menor custo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.