Segundo maior produtor da OPEP deixa alarme: “Petróleo vai chegar aos 100 dólares por barril em 2022”

O ministro da energia do Iraque juntou-se ao leque de personalidades que defendem que o preço do petróleo pode regressar aos 100 dólares por barril, nos próximos tempos.

Para Ihsan Abdul Jabbar, os preços do ouro negro podem voltar a praticar o feito de 2014, “no primeiro semestre do próximo ano”, afirmou o governante do segundo maior produtor da OPEP, durante um evento em Bagdad que ocorreu esta quarta-feira.

No início de outubro coube a Vladimir Putin afirmar que “é bem provável que o petróleo volte a bater nos 100 dólares por barril”. Um opinião partilhada pela gigante Mercuria Energy Group que antecipa este acontecimento já para este inverno.

Já o Bank of America defende que o diesel pode arrastar o mercado petrolífero para os três dígitos, à medida que a procura desenfreada, tendo em conta o advento do inverno, continua.

Iraque afirma que o petróleo pode atingir US $ 100 pela primeira vez desde 2014 no próximo ano

“Preferimos que os preços rondem entre os 75 dólares e os 85 dólares o barril, e não queremos ver o preço a subir acima desta faixa”, sublinhou Ihsan Abdul Jabbar.

O preço dos futuros sobre o petróleo Brent, referência para o mercado europeu, com entrega prevista para dezembro recuaram 0,9%, para 84,32 dólares o barril, às 10h52 de Lisboa. Às 13h36 o preço voltou a descer para os 83,77 dólares o barril.

Também mercado norte-americano o West Texas Intermediate para entrega em novembro, afundou 0,9%, para os 82,24 dólares o barril, mantendo a maior queda desde 2018.

Este movimento acompanha a tendência negativa das matérias primas, com enfoque especial no cobre e no alumínio, para os 4,64 dólares e  3,085 dólares, respetivamente.

Segundo a agência britânica o encontro terminou “se nenhuma decisão por parte de Pequim”.

Julho, agosto e setembro: meses maus para a produção de petróleo

Em setembro, a OPEP+ reduziu 15% a mais da produção, do que era previsto. Em julho e agosto a organização registou também cortes de 9% e 16%, respetivamente, de acordo com duas fontes próximas do assunto, contactadas pela Bloomberg.

Segundo a análise do painel de inteligência da agência norte-americana, estas percentagens refletem “a incapacidade de alguns membros, nomeadamente Angola, Nigéria e Azerbaijão de aumentar a produção para os volumes acordados, devido à falta de investimento, exploração e outras questões”.

Em teoria, a OPEP+ poderia ter vendido ao mundo, em setembro, mais 747.000 barris por dia, permanecendo dentro do limite de produção acordado.

A OPEP, assim como os seus aliados, incluindo a Rússia, têm sido pressionados pelos principais consumidores para acelerarem o ritmo da oferta.

Estes apelos subido o tom à medida que a crise energética assola a Europa, elevando os preços do gás e da eletricidade para novos recordes.

Este cenário contraria as palavras proferidas pelos ministros da Energia da Arábia Saudita e da Rússia, na passada quinta-feira.

Embora o crude tenha subido para um máximo de três anos acima dos 80 dólares por barril, o aumento “não foi nada, quando comparado com a volatilidade observada com os preços do gás e do carvão”, disse na quinta-feira o ministro da Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman.

O governante reiterou que a OPEP+, liderada por Riade e Moscovo, vai manter aumentos graduais da produção, apesar dos apelos de muitos comerciantes e até da Casa Branca para que a organização acelere a produção de barris.

“Fizemos um trabalho notável”, congratulou Alexander Novak durante uma conferência, no âmbito da Semana da Energia russa. “Os mercados do gás, do carvão, e outras fontes de energia precisam de um regulador. Esta situação está a dizer-nos que as pessoas precisam de copiar e colar o que a OPEP fez”, defendeu.

Os futuros do gás na Ásia e na Europa dispararam mais de 150% desde o final de junho, enquanto o carvão duplicou.

OPEP reviu ligeiramente e em alta procura mundial de petróleo em 2021 e 2022

A OPEP, que mantém limitado o seu fornecimento de petróleo no meio do aumento dos preços da energia, reviu  ligeiramente e em alta a procura mundial de petróleo em 2021 e 2022.

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) atualizou a estimativa da procura para 27,8 e 28,8 milhões de barris por dia em 2021 e 2022 respetivamente, mais 100.000 do que o calculado em setembro.

Ambos os números são superiores ao fornecimento conjunto do grupo petrolífero, que era de 27,33 milhões de barris por dia em setembro, mais 486.000 barris por dia do que em agosto, de acordo com cálculos de institutos publicados no documento.

A organização continuará a abrir as torneiras, mas de forma moderada e gradual, como acordado com a Rússia e outros aliados.

O atual pacto da aliança OPEP+ prevê aumentar a oferta em 400.000 barris por dia por mês até setembro de 2022, e o relatório dá a entender que esta política irá continuar.

“Enquanto os mercados petrolíferos continuam a emergir da pandemia da covida-19”, a OPEP+ continuará a “monitorizar” o mercado, afirma a OPEP depois de enumerar vários fatores de incerteza “com riscos de queda” do consumo e dos preços do petróleo bruto em 2022.

“Olhando para o futuro, apesar das expectativas de uma recuperação sazonal na procura de petróleo para aquecimento, bem como de uma possível mudança do gás natural para combustíveis líquidos, espera-se que os mercados de produtos (petrolíferos) sofram alguma fraqueza durante o próximo inverno”, diz a OPEP.

Isto seria causado por “um maior rendimento das refinarias, que resultará num amplo abastecimento”, acrescenta.

Quanto à procura mundial total de petróleo, espera-se que este ano atinja uma média de 96,6 milhões de barris por dia, mais 5,96 milhões de barris por dia que em 2020 e menos 140.000 biliões de barris por dia do que o estimado há um mês.

Esta revisão em baixa deve-se ao facto de os dados dos três primeiros trimestres do ano terem sido “inferiores ao esperado”, dizem os peritos da organização.

Os peritos da OPEP esperam que a recuperação do consumo de petróleo continue em 2022 com um aumento anual de 4,15 milhões de barris por dia, para uma média de 100,8 milhões de barris por dia e reveem também em baixa o volume da oferta dos seus concorrentes, o que explica o aumento da procura do petróleo bruto do grupo petrolífero, principalmente devido a perturbações na produção dos EUA causadas pelo furacão Ida, e nos campos do Cazaquistão e do Canadá por diversas razões.

No total, os produtores não-OPEP fornecerão 63,85 milhões de barris por dia este ano, menos 0,21 milhões de barris por dia do que o estimado no último relatório, e 66,79 milhões de barris por dia em 2022.

 

 

 

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