Com a atenção política centrada na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, as sondagens disponíveis traçam um cenário amplamente favorável a António José Seguro num eventual confronto direto com André Ventura. Os estudos realizados até agora sugerem que a disputa poderá funcionar menos como um teste à popularidade do candidato apoiado pelo PS e mais como uma avaliação da forte taxa de rejeição do líder do Chega, que condiciona de forma significativa o equilíbrio eleitoral.
De acordo com uma análise da Renascença, todas as sondagens que incluíram cenários de segunda volta entre António José Seguro e André Ventura atribuem uma vantagem confortável ao socialista. A mais recente tracking poll da Pitagórica aponta para 66% das intenções de voto em Seguro, contra 27% em Ventura, enquanto um estudo da Aximage dá 49% ao candidato apoiado pelo PS e 29% ao líder do Chega. Outros inquéritos divulgados na mesma semana situam Seguro entre 57,1% e 60,5%, deixando Ventura entre 25,6% e 32,4%.
No total, desde o início de novembro foram divulgados 12 inquéritos com cenários de segunda volta, sendo que apenas em dois António José Seguro não supera a soma das intenções de voto em André Ventura com os indecisos. Aplicando a metodologia do agregador “Sondagem das Sondagens”, o resultado global aponta para 68,5% das intenções de voto em Seguro, face a 31,5% em Ventura, reforçando a ideia de uma vantagem estrutural do candidato socialista.
Ainda assim, Henrique Oliveira, professor do Departamento de Matemática e coordenador do agregador de sondagens do Instituto Superior Técnico, alerta que estes números devem ser lidos com cautela. Em declarações à Renascença, sublinha que se tratam de “cenários hipotéticos”, recolhidos antes de os eleitores estarem confrontados com uma campanha de segunda volta real, mas admite que os dados fornecem “pistas muito boas sobre a taxa de rejeição”, especialmente no caso de André Ventura.
O especialista recorda o precedente das presidenciais de 1986 para ilustrar o peso da rejeição eleitoral, lembrando que Freitas do Amaral venceu a primeira volta, mas perdeu a segunda devido a uma rejeição superior à sua aceitação. No caso atual, considera que Ventura enfrenta um problema semelhante, com uma rejeição muito elevada, embora admita que fatores como a neutralidade do primeiro-ministro, Luís Montenegro, ou de João Cotrim de Figueiredo possam influenciar a dinâmica da campanha. Uma sondagem da Universidade Católica confirma esta tendência, mostrando que apenas 33% dos inquiridos admitem votar em Ventura, enquanto 64% afirmam que “não votariam de certeza”, contraste significativo com António José Seguro, cuja taxa de rejeição se fica pelos 41%.













