Espanha ainda não recuperou do novo coronavírus, tendo registado hoje mais 378 vítimas mortais. Contudo, embora aquilo que poderá ser apenas a primeira vaga do surto ainda não tenha chegado ao fim, já há quem pense na onda de contágio que poderá acontecer de seguida. O jornal El Espanol lembra que, no caso da gripe espanhola, a segunda vaga foi mais letal do que a primeira.
No Verão de 1918, a gripe espanhola parecia encaminhar-se para o fim, mas o maior número de vítimas mortais registou-se mais tarde, entre Setembro e Novembro. Os especialistas alertam, por isso, que o pior ainda pode estar para vir, especialmente se as medidas de restrição forem suavizadas e a flexibilidade de que tanto se fala for maior do que a conta.
Até que se descubra uma vacina, indicam os especialistas ouvidos pela publicação espanhola, a doença não poderá ser controlada na sua totalidade. «Existe a possibilidade de que o ataque do vírus nos EUA, no próximo Inverno, seja mais difícil do que aquele que atravessamos», nota Robert Redfield, director do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Já Robin Shattock, da Imperial College de Londres, sublinha como, tradicionalmente, as pessoas pensam que as segunda vagas de gripe acontecem no Inverno. No entanto, no que ao COVID-19 diz respeito, ainda não se sabe se será essa a lógica e se o seu comportamento se alterará com as estações do ano. «Podemos imaginar que quando começarmos a voltar à vida normal, possivelmente durante o Verão, os casos voltarão a aumentar», indica.
Voltando atrás na História, a mesma publicação lembra que a gripe espanhola tirou a vida a 50 milhões de pessoas – mais do que o número de soldados e civis que morreram durante a I Guerra Mundial. O paralelismo entre as duas epidemias tem sido inevitável, não só pelo nível de contágio mas também pelo cenário que ambas provocaram: das máscaras aos hospitais de campanha, passando pelo polícia na rua.
A gripe espanhola de 1918 aterrou em Espanha em Maio, tendo início por essa altura a primeira vaga de casos: só na primeira semana, contabilizaram-se 30 mil casos, que chegariam a 250 mil princípio de Junho devido às celebrações e festas típicas da época. No final do Verão, o problema parecia estar resolvido.
Contudo, a HIstória pinta um retrato diferente. Com a chegada do Outono veio também uma segunda onda de contágio, com dois focos diferentes: por um lado, as festas em honra de santos padroeiros; por outro, as forças militares. Estas duas vertentes fizeram com que o vírus se espalhasse por todo o país, ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, de acordo com o historiador José Luis Betrán.
Como resultado, foi entre Setembro e Novembro que se registaram mais mortes. Outubro foi mesmo o mês mais crítico, chamando a si 45% do total de óbitos – dados iniciais davam conta de 180 mil vítimas mortais, mas dados posteriores apontam para 260 mil.
Em Novembro, a intensidade da pandemia começou a reduzir. Mas houve ainda espaço para uma terceira vaga já em 1919, nos meses de Fevereiro e Março. Foi, ainda assim, menos forte do que a anterior.














