Segunda-feira de matar: risco de enfarte é maior no primeiro dia útil da semana, diz estudo

De acordo com um estudo irlandês, o risco de sofrer um enfarte agudo do miocárdio – o tipo mais grave de ataque cardíaco – é 13% maior no primeiro dia útil da semana em relação aos demais

Francisco Laranjeira
Agosto 11, 2025
8:00

As segundas-feiras são, tradicionalmente, dias difíceis… depois de um fim de semana de descanso – ou até mesmo sem qualquer descanso -, o regresso ao trabalho costuma deixar muitas pessoas mais mal humoradas. No entanto, não se trata de um sentimento isolado: as segundas-feiras podem ser mais perigosas do que parecem.

De acordo com um estudo irlandês, o risco de sofrer um enfarte agudo do miocárdio – o tipo mais grave de ataque cardíaco – é 13% maior no primeiro dia útil da semana em relação aos demais.

Os dados foram levantados por investigadores do Belfast Health and Social Care Trust e do Royal College of Surgeons, que analisaram registos hospitalares de mais de 10 mil pacientes entre 2013 e 2018.

O estudo observou um pico de ocorrências do tipo Stemi, quando uma artéria coronária é completamente bloqueada, logo no início da semana útil. A hipótese mais provável para esse aumento é o stress gerado pelo regresso ao trabalho após o fim de semana, fator que pode desregular hormonas como o cortisol, relacionado a doenças cardiovasculares.

Ritmo biológico alterado

Outra explicação possível é a mudança no ritmo circadiano, o ciclo natural de sono e vigília do corpo humano. “Presumimos que tenha algo a ver com a forma como o ritmo circadiano afeta as hormonas circulantes, que podem influenciar ataques cardíacos e derrames”, referiu o cardiologista Jack Laffan, líder do estudo.

O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) ou ataque cardíaco ocorre quando uma das artérias do coração fica obstruída, deixando uma parte do músculo cardíaco em sofrimento por falta de oxigénio e nutrientes. Esta obstrução é habitualmente causada pela formação de um coágulo devido à rutura de uma placa de colesterol.

“As artérias coronárias são responsáveis pelo fornecimento de oxigénio ao coração e quando uma destas artérias fica obstruída e impede a passagem do sangue, provoca uma redução de oxigénio no músculo cardíaco, provocando lesão e morte celular de parte deste tecido, desencadeando o enfarte agudo do miocárdio”, explicou o médico cardiologista Severo Torres.

O EAM é uma das principais causas de morte em Portugal e o seu prognóstico está diretamente relacionado com o tempo de evolução entre o início dos sintomas e o seu tratamento. “Esta doença cardiovascular é a causa de morte de mais de quatro mil portugueses todos os anos”, refere o médico.

Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, estima-se que mais de dois terços da população portuguesa não conhecem os sintomas do enfarte do miocárdio e que cerca de 50% dos doentes com sintomas recorrem a uma unidade hospitalar sem capacidade para realizar o tratamento, o que conduz a um atraso significativo no início da terapêutica adequada.

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