Portugal e Espanha estão em colaboração “profunda e diária”, e de um modo mais acentuado, desde o final do ano passado, relativamente à troca de informações sobre os movimentos radicais dos dois países, indicou esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’. Os serviços de informações portugueses e espanhóis – SIS e CNI – detetaram “aproximações” de grupos de extrema-direita, assim como movimentos de extrema-esquerda, dos dois lados da fronteira, o que tem preocupado os responsáveis da segurança interna de Portugal e Espanha.
“À semelhança da relação dos nossos serviços com os ingleses e americanos, a estabelecida com os espanhóis é das mais fortes. As fronteiras comuns, terrestres e marítimas, acarretam problemas comuns e por isso soluções partilhadas”, referiu o coronel Francisco Rodrigues, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), citado pelo semanário.
A crescente interação ibérica dos extremistas deve-se também ao facto de em Espanha os movimentos terem-se multiplicado nos últimos dois anos: há cerca de 20 organizações de cariz extremista e com discurso de ódio em Espanha, muitos dos quais têm vindo a fortalecer os contactos com os homólogos portugueses.
A ONG Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE), dos EUA, destacou o caso de uma dirigente da Juventude do Chega, que estuda em Madrid, que mantém relações estreitas com o Revueta, a ala jovem secreta do Vox, que promove a teoria da conspiração conhecida como a “Grande Substituição”: André Ventura já defendeu: “É apenas uma jovem que defende a família”, apontou, em entrevista ao ‘Now’. Outro caso são as conferências em conjunto do Reconquista, grupo ultranacionalista português que defende a remigração forçada de imigrantes, e o Hacer Nación, que defende o mesmo propósito.
A Guardia Civil já mantinha registos do Movimento Armilar Lusitano, desmantelado pela Polícia Judiciária em junho último – tinha informações de encomendas online de peças para armas de fogo em 3D realizadas pelos dois líderes do grupo, bem como conversas sobre o fabrico dessas armas. As informações foram transmitidas às autoridades portuguesas, o que facilitou a investigação policial. “Numa das conversações os suspeitos abordam a mistura de substâncias precursoras de explosivos, como alumínio em pó e pó de amónio, não se podendo descartar que também possam estar a fabricar misturas explosivas”, indicou Madrid.
Os grupos de extrema-esquerda são também alvo de preocupação na Península Ibérica, com suspeitas de que os ativistas espanhóis participam nas manifestações mais musculadas em Portugal: a PSP identificou, nos últimos três aos, militantes de Espanha em ações de defesa do clima em Lisboa. O mesmo se passa em protestos no país vizinho, com elementos portugueses detidos.














