A ausência de grandes prémios do Euromilhões em Portugal nos últimos quase dois anos está a ter um impacto direto nas contas públicas. Em 2025, o Estado perdeu mais de 52 milhões de euros em receita fiscal devido à quebra no número de jackpots atribuídos a apostadores nacionais, num período marcado por menor sorte dos jogadores.
De acordo com o Jornal de Notícias (JN), esta redução resulta sobretudo da diminuição do imposto de 20% aplicado sobre prémios elevados, numa altura em que nenhum apostador em território nacional acertou na chave vencedora desde julho de 2024. Ainda esta terça-feira voltou a não haver totalistas em Portugal, prolongando a sequência negativa.
Receita global mantém-se elevada, mas em queda
Apesar desta quebra, o Estado arrecadou, em 2025, cerca de 861 milhões de euros provenientes dos jogos sociais explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o que equivale a mais de 2,3 milhões de euros por dia. Ainda assim, trata-se de uma diminuição face aos 884 milhões registados em 2024 e aos mais de 950 milhões alcançados antes da pandemia, em 2019.
Esta receita resulta de duas fontes principais: o imposto de selo sobre as apostas e sobre prémios superiores a cinco mil euros, e a distribuição das receitas do jogo por entidades públicas. A descida mais acentuada verificou-se precisamente na tributação dos prémios elevados, que caiu 68% num ano, passando de 76 milhões de euros em 2024 para apenas 24 milhões em 2025.
O último grande prémio do Euromilhões atribuído em Portugal saiu a 19 de julho de 2024, no valor de 53 milhões de euros, tendo gerado cerca de 5,2 milhões de euros em impostos. Um mês antes, já tinha sido registado um jackpot ainda mais elevado, de 213,8 milhões de euros, no Porto. Desde então, não houve novos vencedores nacionais ao mais alto nível.
A ausência de prémios significativos traduz-se diretamente numa menor cobrança fiscal. No caso do Eurodreams, apenas um português conquistou o prémio máximo em junho de 2025, o que também contribuiu para a redução global das receitas associadas aos grandes prémios.
Ainda assim, o impacto negativo nas contas públicas foi parcialmente compensado pelo aumento do número de apostas. O imposto de selo sobre as vendas manteve-se estável, garantindo cerca de 135 milhões de euros ao Estado, valor semelhante ao dos anos anteriores. Este crescimento permitiu reforçar a distribuição de verbas a entidades públicas, que ascendeu a 702 milhões de euros em 2025, acima dos 673 milhões registados no ano anterior. Entre os principais beneficiários estão o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, com 226,2 milhões de euros, o Ministério da Saúde, com 107,6 milhões, e a Presidência do Conselho de Ministros, com 26,6 milhões.
O ano de 2025 ficou também marcado por uma redução no número de grandes vencedores. Foram atribuídos 44 prémios superiores a um milhão de euros, menos 20 do que em 2024, representando o valor mais baixo desde 2017.













