Se o Acordo de Paris falhar centenas de aeroportos vão desaparecer (incluindo o do Corvo, nos Açores)

O Acordo Climático de Paris é uma boa notícia para o planeta Terra, mas também para o setor da aviação e para quem gosta de viajar. Um aumento global da temperatura de 2 graus poderia alterar para sempre a indústria aeronáutica e levar ao desaparecimento de centenas de aeroportos, concluiu um novo estudo publicado na revista Climate Risk Management.

O Acordo Climático de Paris é uma coligação de quase 200 países que trabalham para reduzir o uso de combustíveis fósseis que aquecem o planeta, como o carvão, o petróleo e o gás natural. O objetivo do Acordo é limitar o aumento da temperatura global para menos de 2º Celsius, e de preferência menos de 1,5º.

As alterações climáticas também têm levado a uma subida do nível do mar, que está a ter impacto nas costas litorais de vários países do mundo.

Dois investigadores da Escola de Engenharia da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, Richard Dawson e Aaron Yesudian, identificaram que que cerca de 270 aeroportos em todo o mundo estão atualmente em perigo de inundações costeiras devido à subida do nível do mar, tendo em conta a localização dos aeroportos e exposição a tempestades.

Um aumento global da temperatura de 2º Celsius, que o Acordo de Paris pretende evitar, colocaria 100 aeroportos abaixo do nível do mar e 364 aeroportos em risco de inundação. Se o Acordo de Paris falhar e a temperatura média global aumentar mais de 2 graus, até ao ano de 2100 estarão em risco 572 aeroportos.

De acordo com o modelo dos investigadores, os 20 aeroportos mais ameaçados pelas alterações climáticas estão todos localizados no Sudeste e Leste da Ásia, com o Aeroporto Suvarnabhumi em Banguecoque e o Aeroporto Wenzhou Longwan na China no topo da lista. Globalmente, a China tem o maior número de aeroportos classificados entre os 20 primeiros da lista.

Na Europa, o aeroporto mais vulnerável é o Aeroporto do Corvo, no arquipélago português dos Açores, seguido pelo Aeroporto de Bremen, na Alemanha. No Reino Unido, o aeroporto da cidade de Londres é o de maior risco.

Nos Estados Unidos, Louis Armstrong International Airport em Nova Orleães, Nightmute Airport no Alasca, Key West International Airport na Florida, e dois dos três principais aeroportos da área de Nova Iorque – La Guardia Airport e Newark Liberty International Airport – todos estão classificados entre os 100 principais aeroportos de maior risco.

Esta não é uma questão que tenha apenas impacto nas costas. A subida do nível do mar não ameaça apenas aeroportos individuais, mas a indústria como um todo. “A subida do nível do mar representa um sério risco para os movimentos globais de passageiros e de carga, com custos consideráveis de danos e perturbações”, disse um dos investigadores, Richard Dawson, citado pela Forbes.

A equipa determinou que até um quinto das rotas aéreas globais podem ser afetadas, se o Acordo de Paris falhar e se os aeroportos desaparecerem. Os investigadores preveem ainda que alguns aeroportos costeiros regionais mais pequenos vão desaparecer do mapa, porque não será financeiramente viável salvá-los.

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