“Se não houver negociações sérias até ao verão”, existência da Ucrânia “está em risco”, alerta chefe da Inteligência ucraniana

De acordo com a publicação, foi realizada uma reunião fechada na Verkhovna Rada (Conselho Supremo da Ucrânia, o Parlamento), onde líderes parlamentares e representantes de fações convidaram o comandante das Forças de Defesa a fornecer “uma avaliação clara do estado atual da guerra” – HUR já negou as palavras do chefe

Francisco Laranjeira

A sobrevivência da Ucrânia pode estar em risco se as negociações para acabar com a guerra com a Rússia não começarem até ao verão, alertou Kyrylo Budanov, chefe da Inteligência Militar da Ucrânia (HUR), durante uma reunião a portas fechadas na Verkhovna Rada, indicou esta segunda-feira o jornal ‘Ukrainska Pravda’.

De acordo com a publicação, foi realizada uma reunião fechada na Verkhovna Rada (Conselho Supremo da Ucrânia, o Parlamento), onde líderes parlamentares e representantes de fações convidaram o comandante das Forças de Defesa a fornecer “uma avaliação clara do estado atual da guerra”. “Se não houver negociações sérias antes do verão, poderão começar processos muito perigosos que ameaçam a existência da Ucrânia”, destacou Budanov, o que, segundo o jornal ucraniano, “deixou a sala em silêncio, com os participantes a trocarem olhares inquietos”.

No entanto, ao início desta tarde, a Inteligência Militar da Ucrânia (HUR) emitiu uma declaração oficial na qual negou as declarações atribuídas ao seu chefe, Kyrylo Budanov, ao ‘Ukrainska Pravda’. “A Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia enfatizou que a suposta citação atribuída ao chefe do organismo, supostamente numa sessão fechada e classificada da Verkhovna Rada, não corresponde à realidade”, referiu.

Também Oleksiy Honcharenko, outro parlamentar ucraniano que supostamente também terá estado presente na reunião fechada, garantiu que o jornal havia distorcido a declaração de Budanov. “Ele não disse isso”, sublinhou. “Ele disse que se nada mudar, a frente pode entrar em colapso, e haverá problemas.”

Segundo fontes próximas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assegurar garantias dos aliados da Ucrânia, particularmente dos Estados Unidos, é um foco fundamental. “Estamos a trabalhar num acordo com os EUA que seria aprovado pelo Congresso. Isso enviaria uma mensagem poderosa de apoio ao mundo.” No entanto, admitiram que as exigências da Rússia, como limites militares ou neutralidade para a Ucrânia, continuam a ser um grande desafio em quaisquer possíveis negociações.

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