Carla Nunes, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, considera que o plano de desconfinamento deve prosseguir, mas alerta para os encontros familiares na Páscoa, sublinhando que a transmissão do vírus «cresce muito» nestas ocasiões.
Em entrevista à ‘Renascença’ a responsável referiu que «faz agora um tempo desde que as escolas abriram, já podemos ver algum efeito do que aconteceu nestas últimas duas semanas, mas também esta semana é crucial no efeito de daqui a 15 dias, que é mais este período da Páscoa que pode levar a que o aumento seja incomportável para a continuidade do plano de desconfinamento».
«Neste momento, ainda não temos evidência para isso, neste momento os dados estão epidemiologicamente estáveis, estamos numa posição excelente na Europa. O que nos preocupa são os indicadores de mobilidade e vamos ver se não são suficientes para virarem novamente a nossa curva», adiantou.
Carla Nunes considera que «estamos no bom caminho, estamos a conseguir cumprir até agora o plano de desconfinamento, um plano cauteloso», mas reitera «que não é preciso muito para nos descontrolarmos novamente», sobretudo na Páscoa.
«Se cada um de nós, se cada família, ou cada bolha, estiver com mais duas ou três pessoas na Páscoa, isso exponencialmente é brutal, nós misturamos uma data de bolhas que até aí eram independentes. Aí a transmissão cresce muito», afirmou.
Desta forma, a responsável pede que exista «a consciência de que temos de continuar a manter as nossas bolhas o mais restritas possível, porque só mais uma pessoa em cada uma bolha é uma união de infinitas bolhas, são rampas de crescimento de transmissão muitíssimo grandes».
«É preciso sem dúvida limitar ao máximo os contactos e, quando estão juntos, estar de máscara. Uma coisa que também é muito difícil na nossa cultura quando envolve refeições, que é algo que muito nos caracteriza», alertou.
Por esse motivo, as celebrações religiosas, típicas desta altura do ano também são de evitar. «Neste domingo, já havia algumas restrições nas cerimónias que envolveram o Domingo de Ramos. A igreja é um sítio onde as pessoas estão sentadas e podem ter melhores ou piores comportamentos como em qualquer outro sítio, mas beijar a cruz está fora de hipóteses», disse quando questionada concretamente sobre este ritual.














