Manuel Carmo Gomes, epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e um dos principais peritos ouvidos pelo Governo nesta fase pandémica, considera «muito provável» que se o desconfinamento continuar «como se nada fosse», Portugal entre numa quarta vaga da Covid-19.
Em declarações à ‘Renascença’, o responsável explica: «O perigo deste vírus é que em situações como aquela em que nós estamos agora, as pessoas têm uma falsa sensação de segurança de que isto está sob controlo, que é aquilo que parece agora. Mas é que não está».
«Agora vamos a tempo, mas se nós deixamos passar umas semanas e se, pior ainda, continuarmos com o desconfinamento ao ritmo a que ele está calendarizado como se nada fosse, nós muito provavelmente vamos ter uma quarta vaga», estima o responsável.
Carmo Gomes esclarece que «no Infarmed foi mencionado que estamos com uma incidência moderada. Tudo bem, estamos com cerca de 70 casos por 100 mil habitantes, mas temos vindo assistir a um aumento constante que de início parece lento, mas de repente dispara. E quando ele disparar, nós não teremos controlo na situação».
«Nós já passámos por isto, já vimos este filme, portanto já sabemos o suficiente para emendar a rota. É altura de pausar e controlar o R(t) com as outras armas de que nós dispomos: a testagem em massa, o rastreamento rápido em menos de 24 horas dos contactos dos novos casos e o registo no SINAVE dos novos casos diagnosticados. Temos de travar esta subida do R(t) antes que isto entre numa situação em que deixa de haver controlo», defende, citado pela estação de rádio.
Para o epidemiologista da FCUL, a estratégia deve passar por «adiar para ganhar tempo», mas sem «desistir» do plano de desconfinamento. «Se o Governo não adiar as próximas fases de desconfinamento e se a população continuar com uma falta sensação de segurança», pode acontecer o pior, alerta.














