Os inquéritos internos aos gastos exorbitantes com cirurgias adicionais por parte de médicos do Hospital de Santa Maria abriram uma ‘caixa de Pandora’, tendo sido detetadas prescrições irregulares a vários doentes, indicou esta quinta-feira a ‘CNN Portugal’.
Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração, tem-se desdobrado em reuniões para tirar as devidas consequências do escândalo, sendo que foram abertos vários inquéritos com uma conclusão prevista de 24 horas. Entre os casos detetados estão o de quatro dermatologistas que prescreveram medicamentos à revelia das regras, um deles sem a obrigatória autorização do Conselho de Farmácia, ao qual pertence o antigo diretor da unidade, Paulo Filipe.
De acordo com o canal televisivo, esta caça às bruxas no maior hospital do país, sendo que muitos médicos internos vivem momentos de grande tensão, com ameaças de abandonar o hospital, isto porque a maioria nada disse sobre os casos.
Os inquéritos vão estar finalizados até esta sexta-feira, sendo que até ao momento há prova documental para a a abertura de quatro processos-disciplinares.
Recorde-se que o diretor da unidade de Dermatologia do Hospital de Santa Maria demitiu-se esta terça-feira, depois de confrontado com resultados preliminares das auditorias internas solicitadas pelo Conselho de Administração às cirurgias adicionais – viria também a demitir-se da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia.
Em causa estão os gastos abusivos dos médicos desta unidade hospitalar aos fins de semana. O dermatologista Miguel Alpalhão faturou mais de 50 mil euros num só fim de semana, tendo angariado 714.829 euros entre 2021 e 2024, fruto de 497 cirurgias realizadas ao sábado ao abrigo do regime de produção adicional, conhecido como SIGIC – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia.
No total, os sete dermatologistas que aderiram ao SIGIC no Hospital de Santa Maria geraram uma fatura global de 3,8 milhões de euros nos últimos quatro anos. O serviço de dermatologia viu os seus ganhos em produção adicional aumentarem mais de 800%, de 179.347 euros em 2021 para 1,7 milhões em 2024. No conjunto de todas as especialidades do hospital, os valores passaram de 6,5 milhões para 14,5 milhões no mesmo intervalo, com um total acumulado de 44,6 milhões de euros, dos quais a dermatologia representou 3,8 milhões.














