Depois de a Rússia ter anunciado que está a considerar confiscar os ativos das empresas estrangeiras que decidiram abandonar o país por causa da invasão à Ucrânia e das sanções provenientes do Ocidente, o país liderado por Vladimir Putin pode ver nascer uma nova classe de oligarcas.
Quem o diz é um especialista em finanças russas à ‘Business Insider’, Hassan Malik, analista sénior de consultoria de gestão de investimentos da Loomis Sayles, explicando que quem conseguir adquirir esses ativos aos preços de leilão pode vir a pertencer a uma nova classe de oligarcas.
Estes leilões podem ser feitos através de um programa de “empréstimos por ações” que se iniciou no ano de 1990 e foi lançado pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin, explica o analista. Este programa consistia em empréstimos por parte de empresários e bancos ao Governo, para que pudessem ter participações em empresas industriais estatais, por preços muito reduzidos.
No panorama atual, o que o governo russo pode fazer é transferir os ativos estrangeiros que apreendeu a investidores favorecidos, novamente com preços muito reduzidos, pois a Rússia precisa de fundos por causa das sanções que foram implementadas ao país, explica Hassan Malik à publicação.
“Acho que é um risco real, dada a história da Rússia.”
No entanto, os investidores estrangeiros também podem ser atraídos por estes leilões, caso o Kremlin não os limite apenas a investidores russos, explica o analista, especificando participantes de mercado que se sintam relativamente isolados face às sanções ocidentais, como por exemplo da China, Índia ou países do Médio Oriente, que não condenaram a invasão da Ucrânia.
Recorde-se que quando as empresas começaram a sair da Rússia, o país tomou medidas relacionadas com a nacionalização das fábricas e a implementação de uma administração externa para as empresas consideradas “hostis”.









