O ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o ex-primeiro-ministro e antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso subscreveram uma carta, divulgada pelo Project Syndicate, onde vários líderes exigem acções concertadas aos países do G20.
Na carta, que conta com três mandatários (o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, o director do Instituto de Assuntos Globais da London School of Economics, Erik Berglöf; e o director do Wellcome Trust, Jeremy Farrar), pedem uma «actuação imediata e coordenada a nível internacional nos próximos dias para fazer frente às graves crises de saúde e económica mundiais causadas pela Covid-19».
«Se não actuarmos à medida que a doença avança pelas cidades e pelos bairros mais pobres de África, da Ásia e da América Latina, com poucas equipas de teste, poucos ventiladores e escasso material médico, e nos quais é muito difícil implementar o distanciamento social e até a higiene das mãos, o coronavírus persistirá nessas zonas e reaparecerá para atacar o resto do mundo em novas ondas que prolongarão a crise», avisam.
Para os mandatários da carta, «é necessário que os líderes mundiais se comprometam a financiar quantidades muito superiores à capacidade actual das nossas instituições internacionais». Pedem, por isso, oito mil milhões de dólares (7,34 mil milhões de euros) para colmatar «as lacunas mais urgentes na resposta à Covid-19». Neste valor, incluem-se mil milhões de dólares (920 milhões de euros) para a Organização Mundial de Saúde; 3 mil milhões de dólares (2,75 mil milhões de euros) para vacinas; e 2,25 mil milhões de dólares (2,06 mil milhões de euros) para tratamento para o novo coronavírus.
Além deste montante, pedem outros 35 mil milhões de dólares (35,2 mil milhões de euros) para «ajudar os países com sistemas de saúde mais débeis e populações especialmente vulneráveis» com a compra de material médico, por exemplo. «Em vez de cada país — ou cada estado ou província dentro deles — competir por uma parte das reservas existentes, com o risco de um rápido aumento de preços, devemos aumentar a oferta, o que exigirá que se ajude a OMS a coordenar a produção e a aquisição de bens médicos, testes equipamentos de protecção individual e tecnologia de comunicações com o o fim de dar cobertura à necessidade mundial», sublinham
«É necessário coordenar melhor uma série de iniciativas fiscais, monetárias, vindas dos bancos centrais e que sejam antiprotecionistas. Os ambiciosos estímulos fiscais de alguns países serão mais eficazes se forem acompanhados por todos os países que estão em situação de implantá-los», vincam ainda.
Entre os subscritores encontram-se, igualmente, o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas Ban Ki-moon, o ex-Presidente de Governo de Espanha José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil. Dos casos de infecção, cerca de 250 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.










