Salários da administração da RTP sobem mais de 18% no ano em que empresa pública voltou aos prejuízos

Remuneração dos três membros do conselho de administração — Nicolau Santos, presidente, e os vogais Hugo Figueiredo e Sónia Alegre — passou de 281.431 euros em 2024 para 333.746 euros em 2025

Revista de Imprensa

Os salários do conselho de administração da RTP aumentaram mais de 18% em 2025, no mesmo ano em que a empresa pública registou resultados líquidos negativos de 3,97 milhões de euros, após 15 anos consecutivos de lucros. As contas da RTP, divulgadas pelo Correio da Manhã, mostram que os encargos com os órgãos sociais atingiram 422 mil euros, o valor mais elevado dos últimos seis anos.

A remuneração dos três membros do conselho de administração — Nicolau Santos, presidente, e os vogais Hugo Figueiredo e Sónia Alegre — passou de 281.431 euros em 2024 para 333.746 euros em 2025. A subida foi de 52.315 euros num ano, num valor bruto que inclui despesas de representação, mas não contempla outros encargos, como comunicações, no valor de 978 euros, ou gastos com viaturas, que ascenderam a 9.897 euros.

Além do conselho de administração, os órgãos sociais da RTP incluem ainda o conselho fiscal, que custou 56,2 mil euros à empresa pública, e o revisor oficial de contas, com um encargo de 21,9 mil euros. O Relatório e Contas de 2025 não discrimina a remuneração individual de cada administrador, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores. Em 2024, Nicolau Santos recebeu 105.058 euros, Hugo Figueiredo auferiu 84.047 euros e Sónia Alegre recebeu 29.410 euros, por ter entrado apenas a 1 de setembro.

A RTP explicou ao Correio da Manhã que o conselho de administração “não foi aumentado em 2022, 2023 e 2024” e que o valor desses três anos foi “incorporado retroativamente” nos salários de 2025. A estação pública acrescentou que a atualização remuneratória “decorre da aplicação do quadro legal aplicável aos gestores públicos” e que não resulta de qualquer decisão do próprio conselho de administração, nem de um regime excecional para a RTP.

A principal receita da RTP continua a ser a Contribuição para o Audiovisual, paga pelos contribuintes através da fatura da eletricidade. Em 2025, a CAV totalizou 195,7 milhões de euros, mais 1,2% do que no ano anterior. Ainda assim, Nicolau Santos defende que esta contribuição já não acompanha os custos da empresa. “A CAV deixou de acompanhar a evolução natural dos custos operacionais, aumentando a pressão sobre a empresa”, lê-se no Relatório e Contas.

Continue a ler após a publicidade

As receitas comerciais, incluindo publicidade, recuaram 1,7% em 2025, para 39,8 milhões de euros. Já os gastos com pessoal ultrapassaram os 79 milhões de euros, num ano em que o salário médio da RTP aumentou 6,8%, para 3.235 euros. Os prejuízos foram também influenciados pelo plano de rescisões, que levou à saída de 71 trabalhadores e teve um impacto contabilístico de 2,26 milhões de euros nas contas da empresa pública.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.