Bruno Bobone, presidente da Câmara de Comércio e Indústria, e António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, estão no centro de uma discussão sobre o salário mínimo. Tudo começou no LinkedIn, onde Bruno Bobone partilhou um artigo do Público sobre uma entrevista dada por António Saraiva à Antea 1/Negócios e aproveitou para criticar as suas palavras.
«É uma visão profundamente redutora propor um aumento do salário mínimo para 700 euros em quatro anos», começa por afirmar Bruno Bobone, indicando que há muito que defende que o importante não é o salário mínimo, mas sim o salário digno.
«Todos e cada um de nós, trabalhadores e empresários, devemos lutar pelo estabelecimento efetivo de um salário digno. Para estabelecer um salário digno que seja sustentável é necessário introduzir na equação a condição da produtividade. Para dividir a riqueza realmente existente, de uma forma que seja benéfica, tanto para o trabalhador, como para o empresário, o aumento da produtividade torna-se um fator fundamental», acrescente Bruno Bobone.

António Saraiva não tardou em responder, aconselhando Bruno Bobone a «ler ou a ouvir na íntegra a entrevista». O presidente da Confederação Empresarial de Portugal afirma que «redutor é opinar sem a leitura completa do texto» e despede-se «com amizade».
Poderia ter sido o fim do assunto, mas a troca de palavras não ficou por aqui. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria responde ao comentário com novas declarações: «Caro António, como já lhe disse muitas vezes é falta de ambição continuar a discutir o salário mínimo, que apenas garante a manutenção de salários baixíssimos no nosso país.»
Bruno Bobone acrescenta ainda que «é fundamental atacar a causa dessa miséria e isso passa por transformar a produtividade numa mais valia do nosso país. Para isso é essencial envolver os trabalhadores e empresários numa cooperação tanto do lado do aumento da produtividade como do lado da distribuição do seu resultado. Enquanto não mudarmos, empresários e trabalhadores. Continuaremos a ter pouca ambição e a ser coniventes com a pobreza do nosso país». Termina o comentário seguindo a deixa de António Saraiva: «Com muita amizade.»
Na entrevista em questão, António Saraiva afirmava já estar em discussões para aumentar o salário mínimo na próxima legislatura. O representante dos patrões indicava ser «perfeitamente razoável» chegar aos 700 euros em 2023.













