Comprar uma obra de arte ‘satisfaz duas vezes’ (pese a publicidade…): não só pelo valor intrínseco da peça mas também pela perspetiva de valorização futura. Segundo o ‘The Wealth Report 2023’, um relatório da consultora Knight Frank, a arte registou em 2022 um aumento de preço de 29%.
O estudo, que analisou a riqueza mundial e as tendências de investimento no mundo, estabeleceu um índice que mede a evolução de 10 bens de luxo não imobiliários e chegou a uma conclusão: metade dos ativos valorizaram-se a uma taxa de dois dígitos no ano transato.
No topo está a arte, seguida de perto pelos carros de luxo, que valorizaram 25%, o valor mais elevado dos últimos nove anos – o relatório citou o recorde estabelecido com a venda de 143 milhões de dólares de um Mercedes-Benz Uhlenhaut Coupé como exemplo do bom momento para os automóveis.
Os relógios de luxo fecham o pódio, após uma valorização de 18%, tendo havido mais de 40 peças vendidas por mais de um milhão de libras – 2022 não foi o melhor ano para o vinho que, embora tenha valorizado 10%, ficou seis pontos percentuais a menos do que em 2021. O whisky também não esteve ‘brilhante’, que, depois de ter registado um aumento de valor nos últimos 10 anos de 373%, apenas cresceu 3% em 2022.
No ‘Wealth Report 2023’, foi igualmente analisada a evolução do preços das casas prime em todo o mundo, sendo que o Dubai a cidade onde mais aumentou (44% em 2022), o que faz com que se mantenha como “um centro mundial” para particulares com ativos de mais de 30 milhões de dólares. O Algarve (15,3% em 2022) e o Porto (12,7%) estão no top 10 do ranking, já Lisboa surge no 40º posto, com 6% de valorização.
Por outro lado, Londres e Nova Iorque são as cidades onde se registaram mais transações ultra-prime, acima dos 25 milhões de dólares, na área residencial. No total foram 43 em cada uma destas cidades, o que representou um aumento de 26% no caso da britânica, e um decréscimo de 35% na americana.
O relatório referiu ainda que “os investidores privados foram os compradores mais ativos de imóveis tradicionalmente institucionais em rentabilidade (escritórios, logística, arrendamento privado e retalho) no mundo em 2022. No total, investiram 455 mil milhões de dólares, o que representa 41% do o total. Este valor representa a maior quota registada por particulares de elevado património no sector imobiliário comercial ou terciário global e é a primeira vez que o investimento privado supera o das empresas”.
Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Canadá e França foram os principais destinos do capital privado em 2022.














