As duas explosões sucessivas que abalaram a capital do Líbano, Beirute, durante a tarde de ontem resultaram em pelo menos uma centena de mortos e mais de 4 mil feridos. Em comum, terão o nitrato de amónio: este químico, utilizado frequentemente em fertilizantes, estará na origem das explosões.
Segundo o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio estavam armazenas no depósito do porto de Beirute que explodiu. Tratava-se de materiais confiscados e ali guardados há seis anos.
Mas o que é, afinal, o nitrato de amónio? É um químico industrial usado maioritariamente como fertilizante porque é uma boa fonte de nitrogénio para as plantas. No sentido oposto, é também um dos principais componentes de explosivos utilizados em minas.
Gabriel da Silva, especialista em engenharia química que dá aulas na University of Melbourne, garante que o nitrato de amónio não é explosivo por si só, encaixando-se mais na categoria de oxidante. Isto significa que torna o fogo mais intenso.
«São precisas circunstâncias extremas para iniciar uma explosão», garante Gabriel da Silva em declarações reportadas pelo The Guardian. Um conjunto de condições, que o especialista diz serem difíceis de reunir, são essenciais para que um cenário como o de ontem seja possível.
Embora ainda não sejam conhecidos os contornos concretos das explosões, Gabriel da Silva refere que é possível que o nitrato de amónio tenha sido contaminado com petróleo, por exemplo, tornando-se altamente explosivo. «Acho que foi o que aconteceu aqui», conta.
Após a explosão, os químicos no ar devem dissipar-se rapidamente, mas outros elementos poluentes podem causar problemas mais tarde – nomeadamente chuvas ácidas. Gabriel da Silva refere que o fumo que surgiu depois da explosão em Beirute apresenta uma cor avermelhada, que mostra isso mesmo.





