Joacine Katar Moreira será confrontada com uma escolha durante o IX Congresso do Livre, que se realizará no próximo fim-de-semana, no Centro Cívico Edmundo Pedro, em Lisboa: ou sai ou fica como independente. Assim, o Livre deixa de ter representação parlamentar.
Os militares do Norte (nenhum dos quais membro da actual direcção ou candidato a ela) apresentaram ontem uma moção que exige a saída da deputada ou que, caso isso não aconteça, lhe seja retirada a confiança política. A lista de 19 moções (uma global, da direcção, e 18 sectoriais) será discutida e votada na convenção agendada para os dias 18 e 19 de Janeiro.
Mas também há uma moção que lhe é favorável. O texto intitulado “Um compromisso do Livre com as lutas emancipatórias“, apresentada pelo militante João Faria-Ferreira, começa por referir que «o escrutínio, por vezes injusto e tendencioso, da parte da comunicação social, e a divulgação de notícias falsas nas redes sociais, não foram alvo de um repúdio e condenação sérios da parte do partido». Ou seja, «um partido que se apresentou a eleições com a primeira mulher negra cabeça-de-lista, que escolheu em primárias, e que diz levantar a bandeira antirracista, não soube criar um ambiente interno seguro para uma das suas camaradas.” Dito por outras palavras: “Não se pode deixar, seja qual for a situação, uma pessoa, camarada ou não, sentindo-se profundamente só».
«Urge, talvez, fazer algo: perceber melhor o que é o racismo, através das palavras de pensadores negros; e que os membros e apoiantes de um partido que foi a eleições com a bandeira do feminismo e antirracismo mudem de postura e atitude», escreveu João Faria-Ferreira.
«Para ajudar no processo da cura de feridas e para acabar com a crise interna» haverá que «assegurar a autonomia da deputada», sugere, defendendo que deve estabelecer, «ao mesmo tempo canais de contacto saudável entre o grupo parlamentar, o Grupo de Contacto, a Assembleia [órgão deliberativo do Livre] e todos os membros e apoiantes do Livre, onde podem ser colocadas dúvidas e críticas construtivas».
Mais: «para a boa reputação do Livre» é necessário «defender publicamente a deputada e o seu gabinete parlamentar de ataques infundados e de notícias falsas, mantendo uma frente unida contra a extrema-direita».




