A classificação de alguns alimentos como ‘saudáveis’ ou ‘não saudáveis’ vai mudar nos EUA. A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla original) propôs à Casa Branca uma mudança nos critérios a partir dos quais determinados produtos podem ter na embalagem a palavra ‘saudável’, segundo as determinações das atuais ciências da nutrição, os rótulos nutricionais e as diretrizes do governo dos EUA para uma dieta saudável.
O objetivo, estabelece a FDA, é ajudar a melhorar a alimentação dos norte-americanos, assim como reduzir o risco de doenças crónicas uma vez que, segundo relata a agência na proposta “mais de 80% das pessoas noa EUA não comem vegetais, fruta e derivados do leite em quantidades suficientes, e consome demasiados açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio”.
Parâmetros desatualizados desde 1994: O problema do açúcar
Segundo a FDA, cerca de 5% de todos os alimentos embalados têm o rótulo ‘saudável’. Esta definição, desde 1994, pode ser utilizada desde que os produtos tenham quantidades limitadas de gorduras, gorduras saturadas, colesterol, sódio e providenciem pelo menos 10% de alguns nutrientes, como vitaminas C e A, cálcio, ferro, proteína ou fibras. Estas regras foram ligeiramente atualizadas em 2016 para permitir que alguns alimentos tivessem mais gordura total ou que garantissem pelo menos 10% da dose diária recomendada (DRDR) de vitamina D ou potássio.
Em ambos os casos, a legislação deixou um ‘vazio’: nunca houve limite no que diz respeito aos açucares adicionados, o que a FDA considera, agora, “inconsistente” com o conhecimento sobre nutrição atual.
Na proposta apresentada, passa a haver um limite para a quantidade de açucares adicionados aos alimentos, em geral nunca mais de 2,5 gramas de açúcares por dose, com algumas variações. Também a quantidade de sódio não pode ser superior a 230 miligramas, se o produtor quer que o alimento tenha o rótulo de ‘saudável’, assim como há limites para as gorduras saturadas em alguns alimentos.
Este desequilíbrio agora corrigido muda completamente a classificação de alguns alimentos. Antes, um iogurte ou cereais com grandes quantidades de açúcares adicionados eram considerados saudáveis, enquanto uma refeição congelada de salmão com vegetais e arroz integral não era, devido a quantidades de gorduras saturadas. Da mesma forma, alimentos que, em Portugal, são geralmente considerados saudáveis pelos nutricionistas, em determinadas quantidades, como azeite, abacates, sementes, nozes, frutos secos, ou peixes-gordos, não podiam ter a rotulagem de ‘saudável’.
Caso a proposta seja aceite, acredita a FDA, esta nova classificação vai encorajar os norte-americanos a fazerem uma alimentação mais saudável, com prioridade para equilibrar vegetais, frutas, cereais, derivados do leite, proteínas e algumas gorduras saudáveis, como as vegetais.













