«Sabemos onde dormes». PJ investiga nova ameaça da extrema direita a dirigente antifascista

A Polícia Judiciária encontra-se a investigar uma nova ameaça feita por um membro da extrema direita a Jonathan Costa.

Revista de Imprensa

A Polícia Judiciária encontra-se a investigar uma nova ameaça feita por um membro da extrema direita a Jonathan Costa, um dirigente antifascista, avança o ‘Público’ esta sexta-feira.

De acordo com a mesma publicação a nova ameaça surgiu depois do envio de mensagens racistas a três deputadas e a Unidade Nacional de Contraterrorismo está à frente da investigação, devido à sua longa experiência neste tipo de casos.

“[No] fim do mês estaremos em Braga. Sabemos onde dormes. Vamos iluminar-te o cérebro. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos. O Babalu Ma [Mamadou Ba] já foi avisado, o próximo a sentir a nossa presença serás tu. Não vais conseguir correr pela ribanceira abaixo nem te vais esconder”, pode ler-se na nova ameaça feita a Jonathan Costa, enviada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo ao ‘Público’.

Para além disso foi ainda grafitada uma parede do centro de Braga, com a mensagem “ANTIFA. Jonathan chibinho, estás morto”, segundo declarações de Jonathan Costa, citadas pelo ‘Público’.

O suspeito é um ex-comando, com ligações a grupos de extrema direita, nomeadamente os Portugal hammer Skins e a personalidades como Mário Machado e, segundo o ‘Público’ faz também parte do novo grupo de extrema-direita Resistência Nacional, responsável pela parada com tochas e máscaras em frente à sede do SOS Racismo na noite de sábado passado.

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Ministério Público abriu inquérito sobre ameaças a deputadas e à associação SOS Racismo

O Ministério Público instaurou um inquérito-crime na sequência de várias deputadas e a associação SOS Racismo terem recebido ameaças via e-mail e depois da autoproclamada “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional” ter feito uma vigília junto à associação.

“Confirma-se a instauração de inquérito, no âmbito do qual serão investigados todos factos que vieram a público nos últimos dias”, respondeu a Procuradoria-Geral da República à agência Lusa.

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Na quarta-feira o dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba foi prestar declarações na Polícia Judiciária e confirmou ter recebido, juntamente com mais nove pessoas um correio eletrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonarem o país, senão corriam risco de vida.

As deputadas do Bloco de Esquerda (BE) Beatriz Dias e Mariana Mortágua disseram no mesmo dia que iam apresentar queixa ao MP na sequência de ameaças recebidas, confirmou à Lusa fonte do partido.

Além das duas deputadas do BE, foram também visados a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista.

“Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português”, lê-se no e-mail.

Na mensagem electrónica refere-se que se o prazo for ultrapassado “medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”, e que “o mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista”.

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Com data de 11 de Agosto, a mensagem foi enviada a partir de um endereço criado num site de e-mails temporários e é assinado por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa.

O Presidente da República recomendou aos democratas “tolerância zero” e “sensatez” para combater o racismo, ao comentar as ameaças de que foram alvo três deputadas e outros sete activistas.

“Os democratas devem ser muito firmes nos seus princípios e, ao mesmo tempo, ser sensatos na sua defesa. Firmes nos princípios significa uma tolerância zero em relação àquilo que é condenado pela Constituição [da República Portuguesa] , sensatez significa estar atento às campanhas e escaladas que é fácil fazer a propósito de temas sensíveis na sociedade portuguesa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Também o Governo e vários partidos, bem como o presidente da Assembleia da República, repudiaram as ameaças feitas aos activistas e à associação.

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