Elon Musk voltou a entrar no debate sobre impostos, fortuna e desigualdade nos Estados Unidos. Desta vez, o empresário usou a rede social ‘X’ para afirmar que já pagou mais de 10 mil milhões de dólares em impostos num só ano, cerca de 8,6 mil milhões de euros, garantindo que esse valor será superior ao pago por “qualquer pessoa na história”, noticia o ‘Unilad Tech’.
I have paid over $10B in taxes in a single year, more than anyone in history.
If I exercise and sell stock options, the combined federal and state income tax is ~45% (I still pay California taxes for every day I spend there).
Then there is another 40% tax paid on my estate…
— Elon Musk (@elonmusk) May 6, 2026
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A declaração surgiu em resposta a uma publicação que defendia que os mais ricos pagam mais do que a sua “parte justa” em impostos, tendo em conta a proporção da receita fiscal suportada pelos contribuintes de rendimentos mais elevados. Musk aproveitou a discussão para rejeitar a ideia de que bilionários como ele escapam ao fisco ou contribuem pouco para os cofres públicos.
“Paguei mais de 10 mil milhões de dólares em impostos num único ano, mais do que qualquer pessoa na história”, escreveu Musk. O empresário acrescentou que, se exercer e vender opções sobre ações, a taxa combinada de imposto federal e estadual sobre o rendimento ronda os 45%. Disse ainda que continua a pagar impostos na Califórnia por cada dia que passa nesse estado.
Para se ter uma ideia da escala, os 10 mil milhões de dólares que Musk diz ter pago em impostos num só ano — cerca de 8,6 mil milhões de euros — equivalem a aproximadamente 2,8% do PIB anual de Portugal, tendo por referência os cerca de 307 mil milhões de euros registados em 2025 pelo INE.
A mensagem não ficou por aí. Musk afirmou também que, quando morrer, haverá ainda um imposto de 40% sobre o seu património. “No total, provavelmente acabarei por pagar biliões em impostos”, escreveu. A frase reacendeu uma discussão recorrente nos Estados Unidos: quanto devem pagar os mais ricos e até que ponto as fortunas assentes em ações escapam à lógica tradicional do imposto sobre rendimento.
Segundo o ‘Unilad Tech’, não é claro se os valores referidos por Musk incluem apenas impostos pessoais ou se abrangem também impostos pagos pelas suas empresas. Essa distinção é relevante, já que grande parte da fortuna do empresário não está em salário ou dinheiro disponível, mas em participações em empresas como Tesla, SpaceX e X.
Mesmo assim, o número é impressionante. Dez mil milhões de dólares, cerca de 8,6 mil milhões de euros, é uma quantia colossal. Mas para os críticos da forma como os grandes patrimónios são tributados, o valor não encerra o debate: quando uma fortuna pode oscilar diariamente em montantes semelhantes, pagar uma soma recorde não significa necessariamente pagar uma proporção considerada justa.
Musk recebe pouco ou nenhum salário direto da Tesla e recusou rendimento pelo seu papel no Department of Government Efficiency. Ao mesmo tempo, construiu uma das maiores fortunas do planeta através da valorização das ações das suas empresas, o que torna o seu caso um exemplo do modo como riqueza, rendimento e tributação já não coincidem de forma simples.
Nas respostas à publicação, muitos utilizadores elogiaram o empresário, defendendo que preferiam vê-lo manter mais dinheiro para investir em inovação e tecnologia do que entregá-lo ao Estado. Outros veem o caso como sinal de um sistema fiscal que permite aos mais ricos gerir a sua carga tributária de forma muito diferente da maioria dos contribuintes.
No fim, a frase de Musk cumpre o seu objetivo: domina a conversa. Dez mil milhões de dólares em impostos num ano é um número colossal. Mas a discussão que deixa em aberto é ainda maior: num mundo em que as maiores fortunas se medem em ações, opções e empresas avaliadas em centenas de milhares de milhões, o que significa afinal pagar a “parte justa”?












