Sabe qual tem sido o maior beneficiário da guerra na Ucrânia? Tornou-se a empresa mais valiosa do mundo na semana passada

Invasão russa à Ucrânia potenciou preço do petróleo e Europa procura alternativas ao combustível da Rússia

Francisco Laranjeira

Desligar o gás russo poderia ter colocado o planeta no caminho para uma economia verde, segundo revelaram alguns especialistas, na sequência da invasão russa à Ucrânia que poderia fazer com que muitos países da União Europeia reconsiderassem as implicações práticas e éticas de serem tão dependentes dos combustíveis fósseis de Moscovo para alimentar as suas economias.

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Políticos de toda a Europa reagiram com pedidos de uma transição acelerada para as energias renováveis. No entanto, começaram a aparecer rapidamente problemas na resolução europeia – o Governo da Reino Unido começou a duplicar a produção doméstica de petróleo e gás e o primeiro-ministro Boris Johnson chegou a voar para a Arábia Saudita para pedir ao regime para aumentar a sua produção de petróleo.

A Arábia Saudita é a maior beneficiária do conflito na Europa, sobretudo através da Saudi Aramco, empresa estatal que é a maior exportadora de petróleo do mundo, registou os seus maiores lucros trimestrais desde a listagem das suas ações em 2019. Na semana passada, ultrapassou a Apple como a empresa mais valiosa do mundo. BP, ExxonMobil e Shell também beneficiaram significativamente dos altos preços do petróleo agravados pela guerra na Ucrânia. Depois de atingir uma alta de 14 anos de US$ 139 o barril em março, o petróleo bruto Brent está a ser negociado a cerca de US$ 110 o barril, cerca de dois terços a mais do que há um ano.

A produção de petróleo diminuiu globalmente durante os bloqueios da Covid-19, à medida que a procura caiu. Alguns gigantes dos combustíveis fósseis, como Shell e BP, prometeram reduzir muito gradualmente a produção de petróleo como parte de sua prometida transição para fontes de energia mais limpas.

Já a Saudi Aramco, no entanto, planeia serenamente canalizar os seus lucros recorde para aumentar a sua produção de petróleo e gás. “A segurança energética é vital e estamos a investir no longo prazo, expandindo a nossa capacidade de produção de petróleo e gás para atender ao crescimento previsto da procura”, explicou Amin Nasser, chefe-executivo da Aramco.

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Uma manifestação perto de Kwasi Kwarteng, secretário de Negócios e Energia do Reino Unido, na última semana, provocou a reação no Twitter: “Gritem o que quiserem mas não vou colocar a segurança energética da Grã-Bretanha em risco ao desligar o petróleo doméstico e produção de gás. Precisaremos de petróleo e gás nas próximas décadas.” Da mesma forma, o plano da UE em proibir as importações de petróleo russo parece cada vez mais instável, já que a Hungria, que depende muito das importações de combustíveis fósseis de Moscovo, recusa-se a apoiar a proposta em nome da segurança energética. O principal beneficiário dos lucros da Saudi Aramco é o Governo da Arábia Saudita, que detém 94% das ações da empresa.

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