Desligar o gás russo poderia ter colocado o planeta no caminho para uma economia verde, segundo revelaram alguns especialistas, na sequência da invasão russa à Ucrânia que poderia fazer com que muitos países da União Europeia reconsiderassem as implicações práticas e éticas de serem tão dependentes dos combustíveis fósseis de Moscovo para alimentar as suas economias.
Políticos de toda a Europa reagiram com pedidos de uma transição acelerada para as energias renováveis. No entanto, começaram a aparecer rapidamente problemas na resolução europeia – o Governo da Reino Unido começou a duplicar a produção doméstica de petróleo e gás e o primeiro-ministro Boris Johnson chegou a voar para a Arábia Saudita para pedir ao regime para aumentar a sua produção de petróleo.
A Arábia Saudita é a maior beneficiária do conflito na Europa, sobretudo através da Saudi Aramco, empresa estatal que é a maior exportadora de petróleo do mundo, registou os seus maiores lucros trimestrais desde a listagem das suas ações em 2019. Na semana passada, ultrapassou a Apple como a empresa mais valiosa do mundo. BP, ExxonMobil e Shell também beneficiaram significativamente dos altos preços do petróleo agravados pela guerra na Ucrânia. Depois de atingir uma alta de 14 anos de US$ 139 o barril em março, o petróleo bruto Brent está a ser negociado a cerca de US$ 110 o barril, cerca de dois terços a mais do que há um ano.
A produção de petróleo diminuiu globalmente durante os bloqueios da Covid-19, à medida que a procura caiu. Alguns gigantes dos combustíveis fósseis, como Shell e BP, prometeram reduzir muito gradualmente a produção de petróleo como parte de sua prometida transição para fontes de energia mais limpas.
Já a Saudi Aramco, no entanto, planeia serenamente canalizar os seus lucros recorde para aumentar a sua produção de petróleo e gás. “A segurança energética é vital e estamos a investir no longo prazo, expandindo a nossa capacidade de produção de petróleo e gás para atender ao crescimento previsto da procura”, explicou Amin Nasser, chefe-executivo da Aramco.
Uma manifestação perto de Kwasi Kwarteng, secretário de Negócios e Energia do Reino Unido, na última semana, provocou a reação no Twitter: “Gritem o que quiserem mas não vou colocar a segurança energética da Grã-Bretanha em risco ao desligar o petróleo doméstico e produção de gás. Precisaremos de petróleo e gás nas próximas décadas.” Da mesma forma, o plano da UE em proibir as importações de petróleo russo parece cada vez mais instável, já que a Hungria, que depende muito das importações de combustíveis fósseis de Moscovo, recusa-se a apoiar a proposta em nome da segurança energética. O principal beneficiário dos lucros da Saudi Aramco é o Governo da Arábia Saudita, que detém 94% das ações da empresa.
Shout and scream all you like, but I’m not going to put Britain’s energy security at risk by shutting off domestic oil and gas production.
We will need oil and gas for decades to come. Either we source more of what we need from the North Sea, or import more from abroad. https://t.co/LvnnaBybny
— Kwasi Kwarteng (@KwasiKwarteng) May 13, 2022













