O cidadão russo envolvido na polémica do acolhimento de refugiados ucranianos na Câmara de Setúbal, Igor Khashin, já tinha alertado o Kremlin para a existência de “elementos radicais” ucranianos em Portugal.
Numa entrevista ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, publicada no portal oficial a 25 de março de 2015, o responsável denunciou essa situação.
“A situação é definitivamente tensa” em Portugal. Há definitivamente elementos radicais que estão a tentar apresentar os eventos (da guerra) de uma forma exclusivamente politizada e à sua maneira”, disse.
O russo continuou: “Na maioria das vezes, nesta fase, as pessoas já estão cansadas do que está a acontecer na Ucrânia. Neste momento, há uma grande onda de refugiados, e não posso dizer que são pessoas das regiões orientais da Ucrânia: há do leste, também há do oeste”.
“Naturalmente, também tivemos conflitos internos e uma rutura nas relações. Isso também foi observado entre a diáspora ucraniana. É triste quando as pessoas que conhecemos bem param de falar umas com as outras”, lamentou na mesma entrevista.
Khashin acrescentou ainda que “na maioria das vezes, as pessoas tentam encontrar um terreno comum, não querendo manifestar essa amargura e dor que se acumularam naqueles que estão perto de nós. Embora sublinhe mais uma vez: a situação é muito difícil”.
“Manter a estabilidade dentro da própria diáspora ucraniana também é uma tarefa muito difícil. Por exemplo, uma pessoa trabalha aqui e a sua mãe está em Donetsk sob bombardeamento, como deve reagir? Ou, alguém chega e diz que um familiar foi levado para as forças armadas da Ucrânia para participar na operação antiterrorista”, exemplifica.
E questiona: “Como é que as pessoas podem olhar nos olhos umas das outras, conversar umas com as outras?! Nós apenas tentamos ajudá-las a ultrapassar as dificuldades que surgem, mas isso, acredite, não é fácil, e tudo depende agora de pessoas específicas: como elas se posicionam e se comportam”.
“É difícil falar com os radicais – não há argumentos – uma ideologia distorcida e pronto. É impossível para eles explicar qualquer coisa”, concluiu na altura.












