A Rússia anunciou a libertação do repórter do Wall Street Journal, Evan Gershkovich, e do ex-fuzileiro norte-americano, Paul Whelan, como parte de um acordo de troca de prisioneiros significativo com os Estados Unidos.
Segundo fontes que preferem não ser identificadas, citadas pela Bloomberg, os dois homens, detidos na Rússia sob acusações de espionagem que eles e o governo dos EUA negam, estão a caminho de destinos fora do território russo. Em troca, os Estados Unidos e seus aliados devolverão à Rússia prisioneiros que mantêm sob custódia, conforme o acordo.
Detalhes do Acordo
Além de Gershkovich e Whelan, o Kremlin também está a libertar o dissidente Vladimir Kara-Murza, de acordo com um funcionário europeu que pediu anonimato. Kara-Murza, um ativista com cidadania dupla russa e britânica, tem sido um crítico persistente do regime do presidente Vladimir Putin. Em abril do ano passado, Kara-Murza foi condenado a uma pena recorde de 25 anos de prisão por traição e outras acusações relacionadas com suas críticas à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ainda não foram divulgados mais detalhes sobre o acordo. As negociações para a libertação de Gershkovich e Whelan têm sido extensas, com o Departamento de Estado dos EUA a classificá-los como prisioneiros injustamente detidos. Em junho, o presidente Vladimir Putin confirmou que os serviços de inteligência russo e americano estavam em contacto e que a administração do presidente Joe Biden estava a tomar medidas enérgicas para garantir a libertação de Gershkovich.
Contexto dos Detidos
Evan Gershkovich, de 32 anos, foi preso em março do ano passado enquanto estava a realizar uma reportagem na cidade de Yekaterinburg, nos Urais, sendo acusado de espionagem a favor da CIA. Tanto Gershkovich como o Wall Street Journal rejeitaram veementemente as acusações. Em junho passado, Gershkovich foi condenado a 16 anos de prisão, tornando-se o primeiro repórter norte-americano a ser julgado por espionagem na Rússia desde a Guerra Fria.
Paul Whelan, por sua vez, foi detido em 2018 e condenado a 16 anos de prisão em 2020 sob acusações semelhantes, que ele também nega.
No início deste ano, a Rússia alegou estar próxima de um acordo que incluiria Gershkovich, Whelan e o líder opositor russo Alexey Navalny, antes da morte deste último em fevereiro numa colónia penal no Ártico. Um oficial ocidental confirmou que houve discussões, mas negou que um acordo estivesse iminente na altura.
O anúncio do acordo foi recebido com alívio por familiares e defensores dos direitos humanos, embora detalhes adicionais ainda não tenham sido revelados. O governo dos EUA e a Rússia devem agora coordenar a logística da troca, o que poderá incluir a transferência de prisioneiros e a finalização de acordos adicionais.














