Rússia, um dos maiores exportadores de cereais do mundo, promete “fechar a torneira” de alguns alimentos se a inflação continuar a galopar

O Kremlin, um dos maiores exportadores de cereais do mundo, alertou que está pronto para ampliar as restrições impostas a exportações de produtos alimentares com alta taxa de procura, depois do aumento exponencial do preço dos cereais, açúcar e outros alimentos básicos, revelou Maxim Reshetnikov, ministro da Economia da Rússia, em entrevista ao ‘Financial Times’.

Reshetnikov sublinhou que o Estado russo pode expandir as restrições impostas às exportações de alimentos, incluindo por exemplo uma tarifa flutuante de “direitos de exportação flexíveis” sobre bens adicionais, se os preços continuarem a subir.

Quanto ao consumo interno, o Kremlin quer acabar com os tetos impostos aos preços de alguns alimentos, mas vai continuar a subsidiar a compra de bens essenciais como pão e farinha, revelou.

“Não há garantia de que os preços globais dos alimentos vão subir ainda mais ou se vão estabilizar. É uma incerteza”, frisou Reshetnikov. “Estamos atentos para fazer o que for necessário”, assegurou o ministro.

O Governante garantiu que o Kremlin vai incentivar os produtores nacionais a investir ainda mais. “Esta é uma das nossas fontes de crescimento económico, de criar novas cadeias de valor: os cereais movimentam a pecuária, a pecuária move o leite para frente, e assim por diante”, explicou.

Em maio, o índice global de preços de alimentos das Nações Unidas atingiu o nível mais alto desde há quase uma década, para quase 40% em relação ao ano anterior.

Os preços dos alimentos são uma questão política fundamental para o Kremlin, dado que 20 milhões de pessoas, ou um em cada sete russos, vivem abaixo da limiar da pobreza, e o racionamento e hiperinflação são dois pesadelos bastante vivos na memória das gerações mais velhas, que sobreviveram à URSS.

Em dezembro, Vladimir Putin ordenou que as autoridades impusessem controlos temporários de preços em alimentos essenciais, como o óleo de girassol e a massa.

A Rússia só começou a exportar alimentos considerados básicos, como o trigo,  em 2014, quando proibiu a maioria das importações de alimentos provenientes do Ocidente, como forma de retaliação contra as sanções imposta pelos EUA e pela UE, começando desde então a desenvolver fortemente a agricultura.

Atualmente, alguns bens agrícolas, como o trigo, representam quase 8% das exportações russas. Em 2019, o país comandado por Vladimir Putin arrecadou mais de 400 mil milhões de euros com a venda deste tipo de alimentos para outros Estados, segundo os dados da Organização Mundial do Comércio.

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