Rússia tem “plano de agressão prolongada” à Europa, alerta chefe da diplomacia da UE

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, lançou esta quarta-feira, ao início da tarde, um sério aviso ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Pedro Gonçalves
Junho 18, 2025
16:35

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, lançou esta quarta-feira, ao início da tarde, um sério aviso ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo: a Rússia tem um plano de agressão a longo prazo contra a Europa, e só um reforço do apoio à Ucrânia poderá travar as ambições expansionistas de Moscovo. Caso contrário, ironizou, os europeus terão de “começar todos a aprender russo”.

As declarações de Kallas surgem num momento em que a Rússia intensifica os seus ataques na Ucrânia e aumenta o investimento em defesa, ultrapassando já os 27 Estados-membros da UE em gastos militares. “A Rússia está a gastar mais na defesa do que no conjunto dos seus sectores da saúde, educação e políticas sociais”, alertou a responsável europeia, sublinhando que tais números evidenciam “um plano a longo prazo para uma agressão prolongada”. Para Kallas, “ninguém investe tanto nas Forças Armadas se não tenciona usá-las”.

Segundo Kallas, a Europa enfrenta ataques diretos por parte da Rússia, incluindo violações do espaço aéreo europeu, sabotagem de gasodutos, cabos submarinos e redes elétricas, e o recrutamento de criminosos para executar atos de sabotagem em território europeu. O Kremlin rejeita categoricamente estas acusações, mas o receio entre os líderes europeus aumenta.

Kallas frisou que o “poder económico coletivo da Europa é incomparável” e que, se os Estados europeus agirem em conjunto e em coordenação com os aliados da NATO, não haverá ameaça que não consigam enfrentar. “A Europa está sob ataque e o nosso continente encontra-se num mundo cada vez mais perigoso”, sublinhou.

Estas declarações surgem na véspera da cimeira da NATO, que terá lugar na próxima semana em Haia, e onde será proposto um aumento significativo dos gastos em defesa para os Estados-membros da Aliança: dos atuais 2% do PIB para 5%. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, tem vindo a alertar para o ritmo alarmante da produção militar russa, referindo que Moscovo produz, em apenas três meses, o equivalente ao que os 32 países da NATO fabricam ao longo de um ano.

Rutte advertiu que a Rússia poderá estar em condições de atacar um aliado da NATO até ao final da década, uma perspetiva que intensifica o debate sobre a urgência de reforçar a capacidade defensiva da Europa. Cresce igualmente o receio de que Moscovo procure testar o Artigo 5.º da NATO, que garante que um ataque a um dos aliados será respondido coletivamente.

Com os Estados Unidos, sob a liderança da administração Trump, mais focados nos desafios de segurança no Médio Oriente, a Europa vê-se pressionada a assumir um papel mais autónomo na sua defesa e no apoio à Ucrânia.

“A força da Ucrânia no campo de batalha ditará a força na mesa de negociações”
Para Kallas, o reforço do apoio a Kiev é essencial não só para a sobrevivência da Ucrânia, mas para a segurança de todo o continente europeu. “Temos de fazer mais pela Ucrânia e, ao mesmo tempo, pela nossa própria segurança”, declarou. E deixou uma mensagem citando Mark Rutte: “Se não ajudarmos mais a Ucrânia, devíamos todos começar a aprender russo”. A chefe da diplomacia europeia reforçou ainda que “quanto mais forte for a Ucrânia no campo de batalha hoje, mais forte será na mesa das negociações quando a Rússia estiver finalmente disposta a falar”.

A guerra na Ucrânia entra no seu quarto ano sem progressos em negociações de paz, apesar de duas tentativas recentes de conversações diretas entre Moscovo e Kiev. A Rússia intensificou a sua campanha aérea e as ofensivas terrestres ao longo dos mais de 1.000 quilómetros da linha da frente.

Na semana passada, o chefe dos serviços secretos alemães (BND), Bruno Kahl, deixou igualmente um aviso claro: “Estamos muito certos, e temos provas de inteligência disso, de que a Ucrânia é apenas uma etapa no caminho da Rússia rumo ao Ocidente”, declarou ao podcast Table Today.

O cenário traçado por Kallas e outros líderes europeus evidencia um momento crítico para a segurança da Europa, em que o reforço do apoio à Ucrânia e o investimento em defesa são vistos como decisivos para travar a ameaça russa.

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