As tensões estão em crescendo na Ucrânia, com a Rússia a concentrar dezenas de milhares de soldados ao longo das fronteiras ao passo que diversos líderes mundiais tentam, em esforços diplomáticos e ameaças de sanções, evitar uma possível invasão. Mas como será essa invasão, se a diplomacia falhar?
A Rússia tem a Ucrânia cercada em três lados – na Crimeia do Sul, ao longo da fronteira russa ao leste e na Bielorrússia ao norte, o que permite várias opções de ataque. Eis algumas das abordagens que pode o exército russo tomar:
Envio de tropas como ‘força de paz’
Vladimir Putin pode ordenar que as tropas sejam enviadas para as regiões separatistas da Ucrânia controladas pelos russo sob o disfarce de “manutenção de paz”, o que aumentaria a pressão sobre a Ucrânia e sobre a NATO. “Todo a gente fala sobre uma invasão mas posso pensar em muitas coisas que Putin poderia fazer além da invasão”, explicou Orysia Lutsevych, analista ucraniana da Chatham House. “O Ocidente ficaria a perguntar-se, novamente, sobre o que fazer: é ou não é uma invasão?” Ao mesmo tempo, devido ao poder que Moscovo já acumulou na zona separatista leste da Ucrânia, esta região pode ser a posição mais fácil para lançar uma invasão completa.
Ataques de longa distância
A Rússia poderia lançar ataques de longa distância com artilharia, mísseis de cruzeiro e ataques aéreos. Essa opção poderia permitir a Moscovo atacar com risco limitado de retaliação e os sistemas de defesa aérea envelhecidos da Ucrânia seriam facilmente sobrecarregados – conscientes desse risco, a Ucrânia apelou à NATO pelos modernos sistema Patriot dos Estados Unidos. Mas o poder aéreo sozinho tem um histórico mau de erradicar forças entrincheiradas, apontou Justin Bronk, do Royal United Services Institute. Se uma campanha aérea não conseguisse forçar concessões, seria seguida por forças terrestres.
Controlar a estrada M14
A estrada que liga a Crimeia à fronteira russa é vital e pode ser um objetivo do exército russo, o que iria envolver o uso de infantaria e blindados, apoiados por um poder de artilharia esmagador para controlar um corredor entre Nozoazovsk, controlado pelos separatistas, através das cidades de Mariupol e Berdyansk, até Kherson, na foz do rio Dnieper. Essa rota tem algumas vantagens para a Rússia – como a segurança do Canal da Crimeia do Norte, um canal de água doce para a Crimeia que a Ucrânia cortou após a anexação de 2014. Mas tal ataque é esperado, então faltaria o elemento surpresa. Também permitiria que a Ucrânia concentrasse o seu exército numa área relativamente pequena e bem defendida.
Adotar uma abordagem multifacetada
Isso poderia incluir o envio de tropas através da fronteira no leste para Kharkiv e Luhansk e atacar do sul via Crimeia – para mitigar as limitações de qualquer uma dessas opções individuais. Um ataque multifacetado forçaria a Ucrânia a escolher onde concentrar os seus esforços, espalhar pouco os seus recursos ou recuar para evitar o cerco. Existem várias opções para o desenrolar de tal ataque – outro cenário veria forças russas a invadir da Bielorrússia para o norte e através da fronteira russa para o leste – mas alguns analistas consideram esta abordagem geral relativamente provável no caso de uma invasão.
Alvo Kiev
O cenário mais extremo, se necessário para conseguir o que quer, é que Putin ataque Kiev. Tomar a capital seria um desafio devido à topografia e uma população esmagadoramente hostil. Uma força invasora da Bielorrússia provavelmente seria a melhor opção para a Rússia, evitando alguns dos principais obstáculos. Mas Putin pode não precisar de entrar na capital – com o exército ucraniano destruído, metade do país ocupado e artilharia russa estacionada, o presidente Volodymyr Zelensky teria pouca escolha a não ser render-se.





