Rússia retira 300 militares da “floresta vermelha” de Chernobyl com sintomas de exposição a radioatividade

As tropas russas “entrincheiraram-se” na chamada “floresta vermelha”, uma das áreas mais contaminadas da zona de exclusão atómica, à volta da central.

Simone Silva
Março 31, 2022
9:18

Se as baixas russas já eram altas nesta invasão da Ucrânia, ontem o país acrescentou mais 300 militares a este número, uma vez que foram retirados da zona de Chernobyl, após receberem elevados níveis de radioatividade.

Segundo a ‘Reuters’ que cita trabalhadores da central nuclear ucraniana, as tropas russas “entrincheiraram-se” na chamada “floresta vermelha”, uma das áreas mais contaminadas da zona de exclusão atómica, à volta da central.



Yaroslav Yemelyanenko, membro do Conselho de Estado ucraniano, que citou fontes bielorrussas, garantiu que até sete autocarros cheios de soldados retirados do local, chegaram ao Centro de Medicina Radiológica de Gomel, com sintomas de terem recebido altas doses de radiação.

Os militares removeram a terra onde a radioatividade está concentrada para cavar valas e trincheiras, o que fez com que estivessem ainda mais expostos, adianta a ‘Reuters’, que revela que estes não são os primeiros soldados a chegar a Gomel.

As mesmas fontes da central nuclear asseguram que as tropas russas não utilizaram qualquer tipo de proteção para entrar nas zonas mais radioativas, o que aumentou ainda mais a sua exposição.

A “Floresta Vermelha” é o nome dado às árvores localizadas a cerca de 10 quilómetros da central nuclear de Chernobyl e o seu nome vem da cor avermelhada que os pinheiros adquiriram, quando receberam uma intensa dose de radiação no dia do acidente em abril de 1986.

Esta zona, à volta de Chernobyl, está fora dos limites para qualquer um que não trabalhe lá ou que não tenha uma autorização especial. Ainda assim, esta floresta é tão perigosa, que até os funcionários da central nuclear não podem estar no local.

Durante as operações de limpeza após o desastre, a “Floresta Vermelha” foi completamente destruída e “enterrada” num chamado cemitério de escória. O local da floresta ainda é uma das áreas mais poluídas do mundo e foi o escolhido pelos russos para se “entrincheirarem”.

Este movimento realizado pelo russos em Chernobyl, que já foi detetado ontem pelo Pentágono, desmente o anúncio de Vladimir Putin, que garantiu que abandonaria a atividade militar em torno de Kiev. As tropas não estão a sair, mas “a reposicionar-se”, nas palavras dos serviços de informação dos EUA.

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