A Rússia prorrogou a permissão para as refinarias russas venderem gasolina e gasóleo de qualidade inferior, noticiou hoje o jornal Kommersant, numa altura de escassez de combustível nos postos de abastecimento russos devido aos ataques ucranianos.
A medida foi originalmente introduzida em outubro de 2025 em resposta à crise de escassez de combustível, após uma onda de ataques ucranianos a depósitos de petróleo na Rússia.
A situação permite que algumas refinarias produzam gasolina com um teor de enxofre até 150 miligramas por quilograma (15 vezes superior ao padrão de emissões europeu Euro-5.
Para o gasóleo, o nível de enxofre permitido é de 350 miligramas por quilograma, 35 vezes superior à norma Euro-5.
Além disso, a gasolina pode conter até 42% de hidrocarbonetos aromáticos, até 1% de monometilanilina (um aditivo para aumentar as octanas) e até 5% de etanol.
A venda vai ficar restrita ao mercado interno, estando proibida a distribuição nos países da União Económica Euroasiática.
Segundo o jornal Kommersant, o Ministério da Energia da Rússia vai ser responsável por monitorizar a medida.
O jornal russo referiu que a regulamentação, que não foi anunciada publicamente, visa estabilizar o mercado dos combustíveis.
Desde o final de maio que os postos de abastecimento de combustível russos têm reportado racionamento e restrições na compra de combustível, especialmente na Península da Crimeia, anexada pela Ucrânia, onde ocorrem cortes no abastecimento devido aos ataques ucranianos à rede logística russa.
Face à escassez, que afetou inclusive os postos de abastecimento de combustível da capital, a Rússia aumentou as compras de gasolina à Bielorrússia.
A 01 de abril, a Rússia impôs uma proibição total das exportações de gasolina e restringiu as exportações de gasóleo.
Os especialistas alertam que os padrões de qualidade mais baixos para a produção de combustível podem representar um risco para os proprietários de automóveis com sistemas modernos de controlo de emissões e electrónica sofisticada, uma vez que a queima deste combustível produz compostos corrosivos que podem acelerar severamente o desgaste do motor.
Ao mesmo tempo, piora a qualidade das emissões dos automóveis que utilizam estes produtos.
Estas medidas foram proibidas em 2016 para cumprir as normas europeias, especificamente em relação às emissões de óxido de azoto.






