Rússia pode fazer da central nuclear de Zaporizhia uma “bomba suja”, alertam analistas

De acordo com o think tank britânico ‘Royal United Services Institute’ (RUSI), os riscos na central nuclear “não estão relacionados apenas à ameaça de sabotagem russa, mas também à deterioração gradual da instalação sob as atuais condições operacionais extremas”

Francisco Laranjeira

O incêndio na central nuclear de Zaporizhia, ocupada pela Rússia, no passado domingo, reacendeu os receios entre analistas de que Moscovo poderia utilizar o local como uma “bomba suja”.

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De acordo com o think tank britânico ‘Royal United Services Institute’ (RUSI), os riscos na central nuclear “não estão relacionados apenas à ameaça de sabotagem russa, mas também à deterioração gradual da instalação sob as atuais condições operacionais extremas”.

Recorde-se que Zaporizhia está sob controlo russo desde o início de março de 2022, poucos dias depois do início da invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin, sendo que os seus seis reatores estão em modo de desligamento desde setembro de 2022 – a única linha de energia restante está a fornecer a eletricidade necessária para evitar o colapso do reator.

A conquista da maior central nuclear da Europa pelas forças russas causou uma preocupação generalizada sobre uma potencial catástrofe nuclear na central, conforme tropas ucranianas e russas encetavam combates na região. No entanto, de acordo com a RUSI, na sua análise de setembro de 2023, a possibilidade de Zaporizhia ser utilizada como “uma bomba suja gigante não pode e não deve ser descartada” enquanto a instalação permanecer sob controlo das forças de ocupação russas.

“Moscovo pode decidir, de forma propositada, causar um mau funcionamento dos principais sistemas de segurança ou atacar partes da instalação para libertar material radioativo nas áreas vizinhas”, sustentou o RUSI. “O facto de a instalação estar na linha de frente de um conflito militar e já estar a operar sob stresse excecional — tanto nos seus principais sistemas operacionais (ou seja, fornecimento de água e eletricidade), bem como na sua equipa ucraniana (que enfrentou assédio e está a trabalhar numa zona de guerra ativa) — também significa que seria relativamente fácil para a Rússia descartar um incidente planeado como um acidente sem culpa ou colocar a culpa nos militares ou pessoal ucraniano”, avaliou o think tank.

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O incêndio na central nuclear foi extinto às 23h30 de domingo, horário local, de acordo com a Rosatom, sendo que tanto Ucrânia como Rússia lançaram acusações sobre a responsabilidade do incêndio – de acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank sediado nos EUA, as autoridades russas estão “a tentar usar esse incêndio para desacreditar a Ucrânia diante da comunidade internacional e retratar falsamente a Rússia como a única operadora segura do ZNPP”.

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