Rússia multiplica por 22 vezes o volume de exportações de petróleo para a Índia

Isto apesar de as rotas de envio de crude para os dois países envolverem viagens até 50 dias, contra os 10 que demorava a chegar à Europa

Francisco Laranjeira
Março 29, 2023
15:52

A Rússia ‘esqueceu-se’ do Ocidente e concentrou atenções no Oriente: Moscovo está a reconfigurar as suas operações internacionais, em especial na energia, para manter vivas as suas exportações de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, procura soluções para reduzir o uso do dólar nas suas importações e expoertações, para evitar as sanções impostas pelo Ocidente após o início da guerra na Ucrânia.

Embora o acordo entre a Rússia e China seja apenas o início, a verdade é que esta semana ficou marcada foi fechado o primeiro contrato de venda de gás natural em yuan da história.

Segundado dados do vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, as exportações de petróleo para a Índia cresceu 22 vezes em 2022, sendo que o volume de exportações de petróleo bruto para a China registou igualmente um aumento. Isto apesar de as rotas de envio de crude para os dois países envolverem viagens até 50 dias, contra os 10 que demorava a chegar à Europa.

“A maior parte dos nossos recursos energéticos foi redirecionada para outros mercados, para os mercados de países amigos. Se pegarmos no abastecimento de petróleo para a Índia, cresceu 22 vezes em 2022”, apontou, sem contudo avançar um número absoluto.

Noutro patamar, a moeda chinesa foi escolhida por Moscovo como moeda de reserva mundial, ou seja, pode começar a ser usada como moeda de câmbio diante da crescente procura da China por produtos agrícolas, madeira, frutos do mar ou fertilizantes químicos da Rússia, que contrapõem às importações russas de produtos eletrónicos e eletrodomésticos chineses. O comécio bilateral pode mesmo chegar aos 200 mil milhões de dólares em 2023.

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