Rússia liberta mulher americana condenada a 12 anos de prisão por doar cerca de 50 dólares a uma ONG ucraniana

Libertação faz parte de uma nova troca de prisioneiros entre os EUA e a Rússia, que realizaram uma nova ronda de negociações em Istambul esta quinta-feira para normalizar as relações diplomáticas

Francisco Laranjeira

A Rússia libertou esta quinta-feira a russo-americana Ksenia Karelina, que foi condenada a 12 anos de prisão em 2024 por doar pouco mais de 50 dólares a uma organização humanitária ucraniana após a invasão do país vizinho pelas tropas de Vladimir Putin.

O anúncio foi feito pela advogada da bailarina amadora que foi detida pelo serviço secreto de Moscovo, o FSB, em Ecaterimburgo, enquanto visitava a sua família.



A libertação faz parte de uma nova troca de prisioneiros entre os EUA e a Rússia, que realizaram uma nova ronda de negociações em Istambul esta quinta-feira para normalizar as relações diplomáticas. Washington, por sua vez, libertou Arthur Petrov, um cidadão russo-alemão detido em 2023 no Chipre por ter participado num plano para adquirir microchips de fabrico americano para armas e outros equipamentos fornecidos aos militares russos.

Karelina foi acusada de transferir fundos para uma organização, a ‘Razom for Ukraine’, que utilizou depois o dinheiro “para a compra de material médico tático, equipamento, meios de destruição e munições para as Forças Armadas da Ucrânia”.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, e um alto funcionário dos serviços de informação russos lideraram as negociações para a troca, que decorreu em Abu Dhabi. “Hoje, o presidente Trump traz para casa mais um americano detido injustamente na Rússia. Estou orgulhoso dos agentes da CIA que trabalharam incansavelmente para apoiar este esforço e agradecemos ao Governo dos Emirados Árabes Unidos por permitir a troca”, apontou o chefe da agência, em comunicado.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou, na rede social ‘X’, que Karelina, que vivia e trabalhava em Los Angeles, já está num avião para casa. “Ela foi detida injustamente pela Rússia durante mais de um ano, e Trump garantiu a sua libertação. O presidente vai continuar a trabalhar para libertar todos os americanos”, prometeu. O advogado da mulher, Mikhail Mushailov, também confirmou a troca.

Ksenia Karelina, nascida em 1991, chegou aos EUA em 2012 num programa de trabalho e estudo e estabeleceu-se em Maryland, onde se casou. Mudou-se então para Los Angeles e conseguiu um emprego como esteticista num spa. Depois de ter sido detida quando regressou à Rússia, foi julgada à porta fechada e declarou-se culpada de traição, na esperança de receber uma sentença menor. No entanto, em agosto passado, foi condenado a 12 anos de prisão.

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