Em apenas sete meses de guerra, Moscovo terá tudo três vezes mais mortos (45 mil) do que a URSS teve nos seus 9 anos de ocupação do Afeganistão ou quase tantos quanto os Estados Unidos no Vietname, revelou esta sexta-feira o jornal espanhol ‘El Mundo’.
A NATO calculou que terão sido 45 mil os soldados russos mortos na Ucrânia, um número que está envolto em incerteza. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, referiu esta quinta-feira que 58.500 soldados russos morreram desde o início da guerra, um número muito superior ao avançado pelo Kremlin. “Vieram matar-nos e morreram. Estão a mentir-vos sobre o alegado número de mortos ser seis mil. [São] 58.500! Essa é a verdade. Todos eles morreram porque uma pessoa quis guerra. Apenas uma, servida por muitos”, garantiu o líder ucraniano.
Zelensky apelou ainda os cidadãos russos que impeçam Vladimir Putin de continuar a guerra que está a pôr em causa a vida da própria população. “O preço de uma pessoa na Rússia querer que esta guerra continue será que toda a sociedade russa será privada de uma economia normal, de uma vida decente e do respeito pelo valor humano”, afirmou. “Para impedir isto têm de parar aquele na Rússia quer a guerra mais do que a vida. A vossa vida, cidadãos russos.”
A decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de mobilizar centenas de milhares de reservas russas este mês quase certamente exacerbará as divisões internas na Rússia, destacando as más políticas militares de seu regime. Isso deve levar a Ucrânia e seus aliados ocidentais a se prepararem para um ataque de tropas mal treinadas e desarticuladas.
Os aliados da Ucrânia estimam, além disso, que a guerra vai intensificar-se nos próximos meses, uma vez que Putin parece estar a preparar-se para uma grande ofensiva no inverno, quando o solo ucraniano congelar e assim facilitar o uso de meios blindados. É uma estratégia que parece não ter o apoio dos militares russos, que não têm muito a dizer: a Rússia é uma ditadura unipessoal.
Segundo o jornal americano ‘The New York Times’, o presidente tem ligado aos comandantes russos na frente e está pessoalmente no comando das operações no terreno. O que pode ter reflexos nas perdas russas na Ucrânia – três vezes mais mortos do que a URSS no Afeganistão (14.453, segundo os números oficiais de Moscovo), e quanto tantos quanto os Estados Unidos no Vietname (58.281).
As enormes perdas russas parecem explicar a decisão de Putin de chamar 300.000 reservistas (embora o valor real possa ser 1,2 milhões), com a intenção de tê-los na linha de frente – possivelmente em tarefas de suporte e não na linha de frente – em três ou quatro meses. “Existe uma chance de que a Rússia lance uma grande ofensiva de inverno, porque sua doutrina militar acredita que a favorece. O exército russo estima que, quando o chão congelou com a chegada de inverno, os seus meios blindados tenham um ganho de mobilidade”, explicou uma fonte ao jornal espanhol.



