A Rússia vai cortar o abastecimento de gás aos Países Baixos e à Dinamarca, a partir de hoje, perante a recusa em fazerem os pagamentos em rublos, como exige a administração da Gazprom, controlada por Moscovo.
A Gazprom Export exige que os países europeus paguem o fornecimento de gás russo na moeda do país devido às sanções impostas pela invasão da Ucrânia por Moscovo – a empresa estatal russa já havia cortado o gás à Finlândia, Polónia e Bulgária, que se recusaram a cumprir as novas condições de pagamento.
A GasTerra, que compra e comercializa gás em nome do Governo holandês, disse em comunicado que “antecipou” as medidas da Rússia para cortar o gás e comprou, “em outros lugares”, alguns dos 2 mil milhões de metros cúbicos de gás que esperava receber da Gazprom até outubro. A empresa de energia holandesa estava confiante apesar da sanção russa. “O mercado de gás europeu é altamente integrado e extenso”, explicou a empresa, em comunicado, embora tenha lembrado que “é impossível prever como a perda de oferta de 2 mil milhões de metros cúbicos de gás russo vai afetar a situação de oferta e da procura e se o mercado europeu poderá absorver essa perda de oferta sem sérias consequências”.
A dinamarquesa Orsted, por sua vez, indicou que a Rússia não poderá cortar o fornecimento diretamente pois não há gasoduto da Rússia para a Dinamarca, mas é obtido através da Alemanha. “Isso significa que a Dinamarca terá de comprar mais ao mercado europeu de gás. Estamos a contar que isso seja possível”, referiu, em comunicado.
Cerca de 44% do uso de energia holandês é baseado em gás, mas apenas cerca de 15% do gás holandês vem da Rússia, segundo dados do Governo, que já havia anunciado anteriormente planos de parar de usar combustíveis fósseis russos até ao final do ano.
Os países europeus estão divididos sobre como responder à exigência de Moscovo de que todos os pagamentos pelo gás sejam feitos na moeda local. A Alemanha e a Itália já disseram às suas empresas que poderiam abrir contas em rublos para continuar a comprar gás russo sem violar as sanções.














