Rússia fecha a torneira do gás aos Países Baixos e à Dinamarca a partir de hoje

Depois da Finlândia, Polónia e Bulgária, a Rússia vai cortar o abastecimento de gás aos Países Baixos e à Dinamarca

Francisco Laranjeira

A Rússia vai cortar o abastecimento de gás aos Países Baixos e à Dinamarca, a partir de hoje, perante a recusa em fazerem os pagamentos em rublos, como exige a administração da Gazprom, controlada por Moscovo.

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A Gazprom Export exige que os países europeus paguem o fornecimento de gás russo na moeda do país devido às sanções impostas pela invasão da Ucrânia por Moscovo – a empresa estatal russa já havia cortado o gás à Finlândia, Polónia e Bulgária, que se recusaram a cumprir as novas condições de pagamento.

A GasTerra, que compra e comercializa gás em nome do Governo holandês, disse em comunicado que “antecipou” as medidas da Rússia para cortar o gás e comprou, “em outros lugares”, alguns dos 2 mil milhões de metros cúbicos de gás que esperava receber da Gazprom até outubro. A empresa de energia holandesa estava confiante apesar da sanção russa. “O mercado de gás europeu é altamente integrado e extenso”, explicou a empresa, em comunicado, embora tenha lembrado que “é impossível prever como a perda de oferta de 2 mil milhões de metros cúbicos de gás russo vai afetar a situação de oferta e da procura e se o mercado europeu poderá absorver essa perda de oferta sem sérias consequências”.

A dinamarquesa Orsted, por sua vez, indicou que a Rússia não poderá cortar o fornecimento diretamente pois não há gasoduto da Rússia para a Dinamarca, mas é obtido através da Alemanha. “Isso significa que a Dinamarca terá de comprar mais ao mercado europeu de gás. Estamos a contar que isso seja possível”, referiu, em comunicado.

Cerca de 44% do uso de energia holandês é baseado em gás, mas apenas cerca de 15% do gás holandês vem da Rússia, segundo dados do Governo, que já havia anunciado anteriormente planos de parar de usar combustíveis fósseis russos até ao final do ano.

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Os países europeus estão divididos sobre como responder à exigência de Moscovo de que todos os pagamentos pelo gás sejam feitos na moeda local. A Alemanha e a Itália já disseram às suas empresas que poderiam abrir contas em rublos para continuar a comprar gás russo sem violar as sanções.

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