Rússia corre contra o tempo: Moscovo acelera pagamentos para escapar ao “default”

O Ministério das Finanças russo informou que iniciou hoje o pagamento de dois dos seus títulos externos em mais uma tentativa de cumprir os prazos acordados nos contratos e de evitar o “default”.

O Kremlin canalizou 71,25 milhões de dólares (67,5 milhões de euros) em pagamento de cupões para Eurobonds denominados em dólar com vencimento em 2026, e 26,5 milhões de euros (28 milhões de dólares) com vencimento em 2036.

Os cupões com vencimento em 27 de maio correspondem a um título em dólar emitido em 2016, e um título em euro emitido em 2021. O pagamento do título em euro poderia ter sido feito em rublos como último recurso, mas o título em dólar não tem essa opção, estando a Rússia a aguardar uma licença do Tesouro dos EUA para poder transferir o dinheiro para detentores de títulos internacionais.

Na semana passada o Ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse que Moscovo cumprirá as suas obrigações de dívida externa em rublos se os Estados Unidos bloquearem outras opções, e não se declarará inadimplente, pois tem meios para pagar, revela a ‘Reuters’.

Apesar de a Rússia deter muito dinheiro, principalmente devido às suas entregas de óleo e gás para a Europa, o Kremlin tem agora um acesso muito limitado a dólares devido às sanções impostas pelo ocidente como consequência do ataque à Ucrânia. Por essa razão, o Governo russo tem tentado efetuar os pagamentos em rublos, a moeda nacional que sofreu um grande impacto devido ao conflito.

Ao não cumprirem com os contratos, os russos podem entrar em inadimplência, ou seja, se o país deixar de pagar um empréstimo estrangeiro, os investidores internacionais ficam relutantes e criam limitações nos empréstimos, normalmente aplicando taxas de juros muito altas.

Atualmente a Rússia tem 39% das reservas internacionais congeladas pelas sanções aplicadas pelo Ocidente e, como tal, muitos analistas falam da impossibilidade de incumprimento.

 

Que impacto pode ter o “default” na guerra?

De acordo com os economistas, as nações que entraram em “default” das suas dívidas ou têm más classificações de crédito têm dificuldade em construir capacidade militar. Ou seja, ter capacidade de financiamento externo durante uma guerra é uma “arma” fundamental.

As primeiras estimativas apontavam que a Rússia iria despender mais de 185 mil milhões de euros (20 mil milhões de dólares) por dia, incluindo despesas diretas e indiretas, como perda de produção económica.

Assim, se a Ucrânia continuar a prolongar esta guerra com uma forte defensiva, alguns analistas aponta, de acordo com a mesma fonte, que a incapacidade de a Rússia pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro irá limitar as suas capacidades de continuar com um ataque à Ucrânia.

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